Author Archive

Caleidoscópio de paradoxos II

Quarta-feira, Maio 28th, 2008

BLOCADO NA FLEXIBILIDADE DO CURSO

(Ou, a geo-imagem é real pois em sua virtualidade se repete três vezes, para não ser esquecida pela dissolução dos rins.. Ou ainda, em meio a trovões e relâmpagos, goelas de cérbero são transformadas em dobras maravilhosas…Ou mesmo assim, a sua sombra é tudo que se pode esperar no deserto…Ou por fim, dançaremos antes de pular no abismo, ao som do vento, à lenta separação de nossas mãos, concentrados na queda única de cada um…no sentimento, ainda assim, do círculo)

I

Na busca do conhecimento,

todos os dias algo é adquirido,

Na busca do Tao,

todos os dias algo é deixado para trás.

E cada vez menos é feito

até se atingir a perfeita não-ação.

Quando nada é feito, nada fica por fazer.

Domina-se o mundo deixando as coisas seguirem o seu curso,

o seu Tao.

E não interferindo.

Tao Te Ching (Cap.48)

II

O terreno não é perfeitamente plano, por isso o banquinho é feito com três pernas, para que não fique manco, para que se ajuste com facilidade às irregularidades.  Não há dúvida que na casa de deus, Jesus se senta num banquinho de três pernas ao lado direito do trono, direito de quem olha da porta principal, claro. Afinal, é óbvio que um homem que anda no lombo de uma mula não pensa muito antes de escolher algo.  Se Hermes, irmão de Jesus, pensasse muito, seu caduceu estaria liso e seria um simples cabo de vassoura.

Serpentes, relâmpagos e terrenos irregulares parecem se encontrar quando a pretensa solidez da racionalidade humana é desmascarada.  A racionalidade, como sabemos,  quer alimentar apenas o cachorro bom, como se isso fosse possível.  Lao Tsé, o terceiro irmão de Jesus, enquanto louva a Mãe que tudo nutre, vê claramente Cérbero com suas três cabeças serem alimentadas igualmente com suas três goelas abertas.

A racionalidade apenas olha, nunca vê. Para tal só existe o bom e o mau ou então uma mistura dos dois, mas nunca um completamente outro. O totalmente outro para a racionalidade ainda é uma mistura, uma projeção.

Esses três personagens não estão olhando, estão vendo.  D. Juan,  o índio louco, insistentemente explicava à Castañeda, o branco racional, que a racionalidade humana impede o olho de ver e vicia-o em olhar. O cego apenas olha, não vê, diz D Juan.

       Ora, a racionalidade separa e foca, e constantemente se esquece disso.  Veja, não apenas olhe. Não apenas relacione todos os três que achar.  Mesmo que sejam três os desejos, as fadas, os patetas, os sobrinhos de Donald, os porquinhos, as negações de Pedro antes do galo cantar, mesmo e por mais que a matemática diga que dois e um somam três.  Há uma triplicidade que não é explicada por nenhuma operação da mente racional.  Mesmo que o triângulo seja belo, mesmo que Pinóquia tenha três tarefas antes de morrer, há um mistério, um terceiro incluído, insuspeito.

       Nada é menos óbvio e nada é menos explicável, mas, ainda assim falamos disso, apontamos, sugerimos, relacionamos santuários, pintamos cabeças, corações e mãos, porque simplesmente não o podemos fazer de outro modo.  Então dizemos que o terceiro incluído habita uma outra dimensão.  Tentamos caminhos alternativos, choques corporais, olhamos nossos pés de pato e dizemos mangalô três vezes, ainda que em sonho.  A terceira hora facilmente se torna uma fantasia de carnaval com ares de procissão esotérica para os homens que só sabem olhar sem ver.  Tratados são escritos tentando decifrar um conhecimento escondido.  Símbolos são dissecados e todas as medidas são tiradas para que fórmulas falem e revelem o mistério do Três.  Mas a terceira hora é um mistério para a racionalidade.  Tão misteriosa quanto o ato de não julgar, a partir do qual são feitas coisas novas.

       Na primeira hora o eu é desmascarado, e isso é uma experiência vital.  Na segunda hora a máquina produtora de identidades-eu é desmontada, surge o discernimento do ato de discernir.  A terceira hora não é um seguimento das duas anteriores, ela habita ao mesmo tempo com as duas, se faz valer e, apesar disso, ela não está lá.  A terceira hora é a dobra onde todo esquema espírito-alma-corpo deixa de ser apenas esquema.

       Num mundo de planícies que tremem, a terceira hora se dobra três vezes. Que geo-imagem podemos usar aqui? Enquanto o Caminho não existe sem caminhante, o Curso, bela imagem para Tao, existe por si só, não é preciso que algo ou alguém o percorra.  O Curso é movimento de si mesmo.  Por isso enquanto todo caminho deixa pegadas de quem por ali passa, o Curso apaga consigo o que ele mesmo deixa.

       Dobras são como falhas, regiões crepitantes de onde parece que ouvimos e vemos línguas de relâmpagos: puro pentecoste. É aí que a terceira hora surge.  Dobras são as pistas não propositais deixadas pelo Curso. Três dobras desenham um relâmpago.  Três dobras entrelaçam as cobras no caduceu de Hermes.  De um lado o espírito esquecido, do outro o corpo incompreendido.  No meio a dobra-alma desdobra-se em corpo e espírito, medo e coragem.  Aqui se aprende a doutrina da vida e a doutrina da morte e, sobretudo, aprende-se a livrar-se de ambas.

       A terceira hora revela um tempo completamente novo, livre dos esquemas rígidos, das flechas arbitrárias, um templo blocado que pulsa e é escândalo para os sacerdotes de todos os tipos e credos e dogmas e leis. A terceira hora subverte, revoluciona e, se não o fizer, não é a terceira hora, mas apenas uma caricatura racional, outra armadilha de quem ainda se encontra às voltas com o desafio da segunda hora, prestes a se esquecer do que se passou na primeira hora e a uma passo de retornar ao mundo dos sonâmbulos de cada dia.  Ao mesmo tempo, quem passa pelas primeira duas horas já estava desde sempre na terceira hora, como uma benção que o acompanha silenciosamente.  Por isso dobramo-nos respeitosamente pois aí nos encontramos face a face com nossa alma.

By Hammadi

III

Me diga como posso tocar teu coração?
Como uma flecha envenenada eu me dirijo
para o centro mas eu erro por um triz.
Será que você gostaria de compartilhar deste veneno?
O veneno que na dose certa cura, faz despertar?
Me diga, comeria comigo deste pedaço oco de nada?
Onde nada é oferecido, porque nada pode ser tomado.
Eu não tenho o que te oferecer,
eu não tenho nada para dar,
somente a sombra da minha companhia por uns momentos
na caminhada deserta… no deserto.
Eu prometo te conduzir ao vazio,
ao mesmo vazio que eu tento invadir.
Eu te ofereço a mão,
a mão que não poderei evitar que desapareça
no momento que soltarmos no abismo.

By Kali, desesperadamente humana

IV

Percebi que nunca tivera o menor interesse em viver,

mas apenas nisso que estou fazendo

agora, algo que é paralelo à vida, que faz parte

e ao mesmo tempo fica além dela.

Absolutamente não me interessa o que é real.

Só me interessa o que eu imagino que é,

aquilo que sufoquei todos os dias a fim de viver.

By Henri Miller, in Trópico de Capricórnio

V

Morrer, desaparecer: mistério mais fascinante que possuo. Daí, surgiu minha escritura, e Miller sabe disso, Bandeira também. A experiência de escrever custa caro e, até hoje, o que sinto nesse ato só foi claramente compreendido e expresso por imagens. Imagens fúteis, desprezíveis, sem nenhuma nobreza. Meu tempo, vídeo-TV, não deixou escapar. Foi num Globo Repórter displicente como qualquer notícia. A matéria contava sobre o cara que resolveu esquiar do alto do Everest (se lembro bem). Grande aventura, boa pra dormir, onde se filmou desde o transporte do material pelos tibetanos, até o tipo de comida, das barracas e detalhes do plano: subiriam por um lado e ele, o esquiador, desceria por outro, único local possível para tal loucura. Atingiria provavelmente 180 km/h e, para que conseguisse frear antes de atingir o grande precipício, levaria um pára-quedas, artifício que poderia falhar por causa do ar rarefeito. Eu, mais uma vez, comendo biscoitos com leite, ouvindo aquela música linda de fundo, a das grandes conquistas, às 22:00h, depois do trabalho (nada mais ridículo sempre), me fiz perguntas imbecis: pra que isso? Não tem sentido! Esse é louco?! É, talvez, mas aquilo me excitava. Foram com seus balões de oxigênio, subindo lentos, escalonados, solitários. Um pouco antes, oito quilômetros acima do nível do mar, começaram a checar o material: esquis, botas, oxigênio, pára-quedas, e um radinho para se comunicar (isso me chamou a atenção. Na hora da descida, poderia transmitir o que sentia. Eu, que nunca desceria esquiando o Himalaia, poderia ouvir palavras fantásticas, e, por momentos, entendi a beleza da tecnologia). Tudo certo? Tudo. A câmera deu uma tomada geral do deserto gelado, teto do mundo, e ele partiu. Seriam poucos segundos, precisos. No final, o precipício esperava. Simbologia rara para a vida de cada ser: esquis, deserto gelado, pára-quedas, radinho (maravilha introduzida no universo) e o precipício, sempre inevitável e desconhecido. Ganhando velocidade, velocidade, falou. A transmissão difícil, dolorosa, reforçava vento e trepidação de forma assustadora. Ele disse:

Não há o medo

Não há o medo

Só o nada.

Isso. Quando razão, sentimento, corpo e intuição tendem a únicos, concentrados, expressivos. Numa luta, encarada como última, não se importa perder ou ganhar, apenas lutar com todas as forças:

Não há o medo

Não há o medo

Só o nada.

Num momento, o pára-quedas abriu mal, ele perdeu o controle, bateu e rebateu na neve, nos esquis, escorregando a alguns metros do precipício, pouca distância e parou, como um morto. Pelo radinho, os amigos gritavam seu nome e, depois de alguns instantes, respondeu estou bem. Ele escapara, felizmente pra nós e pra Globo, mas por quanto tempo? Um dia repetiriam o vídeo e o veriam escorregar até a queda. O precipício nos aguarda e qualquer arte são ensaios, checagens, para a grande descida, solitária, celacanto, final. A não ser que se junte o vôo despirocado e torto do pterodáctilo, parindo nanorobôs velozes de alegria: nossa crença! Nossa loucura!

By Kaslu in Celacanto Provoca Maremoto

CALEIDOSCÓPIO DE PARADOXOS I

Domingo, Maio 25th, 2008

APAGADO DE BRILHANTE

(Ou, as duas formas de composição literária: aquela dos que acreditam em teoria e prática, e aquela outra, dos que violentam as palavras, forçam os elementos, e criam impulso vital…. ou ainda, para além de mim mesmo, apagado de brilhante, o ser alegre… ou por fim para além do blog do bem e do blog do mal, somente a verdade, o blog de guerra)

I

O que seria de nós se não fosse a morte!!!
Cansei de discutir com a espécie!!!!
Pois a espécie não precisa de mim!!!
Busco apenas o inesperado!!!!
E silenciosamente me aquieto esperando a iluminação!!!
Ser tragado pelo desconhecido,
pelos caminhos nunca trilhados,
pelo buraco-negro-ervilha da revelação:
É o sorriso que você vê
- brilhante e estampado –
em mim!!!

II


(…) Quando escreve, é comum que fique na região dos conceitos e das palavras. A sociedade lhe oferece, elaborada por seus predecessores e armazenadas na linguagem, idéias que ele combina de maneira nova após as haver por sua vez remodelado até certo ponto para as introduzir na combinação. Esse método dará resultado mais ou menos satisfatório, mas chegará sempre a um resultado, e num tempo restrito. A obra produzida poderá aliás ser original e forte; não raro o pensamento humano se verá enriquecido com ela. Mas não passará de um aumento da renda anual; a inteligência social continuará a viver com os mesmos capitais, com os mesmos valores. Há porém outro método de composição, mais ambicioso, mais seguro, incapaz de dizer quando terminará e mesmo se terminará. Consiste em escalar, do plano intelectual e social, até um ponto da alma de onde parte uma exigência de criação. O espírito onde essa exigência se instala pode tê-la sentido uma só vez na vida; no entanto ela está sempre lá, emoção única, abalo ou impulso recebido do próprio fundo das coisas. Para cumpri-la inteiramente, seria preciso forjar palavras, criar idéias, porém não mais seria se comunicar, nem por conseguinte escrever.

Contudo, o escritor tentará realizar o irrealizável. Ele irá procurar a emoção singela, forma que quereria criar sua matéria, e se dirigirá com ela ao encontro das idéias já feitas, das palavras existentes, enfim, dos contornos sociais do real. Ao longo do caminho, ele a sentirá explicitar-se em signos saídos dela, quero dizer, em fragmentos de sua própria materialização. Esse elementos, cada um dos quais único em seu gênero, como os levar a coincidir com palavras que já exprimem coisas? Será preciso violentar as palavras, forçar os elementos. Mesmo assim o sucesso jamais será garantido; o escritor indaga a cada instante se valerá a pena ir até o extremo; a cada resultado favorável parcial ele dá graças ao acaso, como o trocadilhista poderia agradecer pelas palavras com que depara por se prestarem a sua brincadeira. Mas se ele chega ao fim, terá enriquecido a humanidade com um pensamento capaz de assumir aspecto novo para cada geração nova, capital infinitamente produtivo de lucros e não mais de uma quantia a gastar imediatamente. Tais são os dois métodos de composição literária. É inútil não se excluirem de modo absoluto, pois se distinguem radicalmente.

By Bergson

III

Independência é algo para bem poucos: – é prerrogativa dos fortes.
E quem procura ser independente sem ter a obrigação disso,
ainda que com todo o direito,
demonstra que provavelmente é não apenas forte,
mas temerário além de qualquer medida.
Ele penetra num labirinto,
multiplica mil vezes os perigos que o viver já traz consigo;
dos quais um dos maiores é que ninguém pode ver como e onde se extravia,
se isola e é despedaçado por algum Minotauro da consciência.
Supondo que alguém assim desapareça,
isso ocorre tão longe do entendimento dos homens
que eles não sentem nem compadecem:
- e ele não pode voltar!
já não pode retornar sequer para a compaixão dos homens!

By Nietzsche, in Para Além do Bem e do Mal

IV

Toda poeira erguida agora se cala
Então percebo em seus olhos
Resíduos de um navio que partiu
Febre que abandonou a pele
E que agora se choca
Infinitamente
De encontro aos rochedos dessa noite
Eu fico
Mas não espero
Estou a um passo de onde nunca estive
A uma morte de uma vida que nunca acordei
Sim
Ainda estamos aqui
Eu e você
Procurando por nós mesmos
Nesse abraço abafado
Fechado
Hermeticamente deserto
Onde perco a esperança
Como quem abre janelas para uma altura intransponível
Para deixar que escape o seu olhar mais apaixonado
Tempestade de areia
Trovoada de mármore
Despenca
Mas não se quebra
Permanece
Chocando-se infinitamente em meus olhos calados
Que agora se despedem
Sem dizer adeus.

By Sahid

V


Grandes obras são códigos, leis, definições e normas em tempo de paz. Sua violência, dosada, aceita e meticulosa, nos acerta em cheio, e somos bons cidadãos, as respeitamos, tememos e amamos. Chegamos mesmo a defendê-las dos marginais, pois elas são a nossa tradição, e segurança de que somos alguém; nossos códigos, impostos aos corações acidamente, destruidoramente no seu nascimento, e depois, sulco aberto, bastando polir a ferida com lembranças. Grandes escritores são capazes de escrever sobre qualquer coisa (ou não?). Dominar a técnica literária tão bem, que dispensem muitas vezes a inspiração – isso me impressiona: poder escrever sobre qualquer coisa, meu Deus!, ingerindo pensamentos ações e disparando palavras, só palavras. Achando sempre a devida norma. Na hora de publicar, fatalmente, os que escrevem em jornais e revistas possuem tanta abundância que selecionam até ao desperdício, e assim, remarcam o que nos é tão comum: ou exagero quantitativo ou falta qualitativa. Não são esses os sintomas da obra menor (da boa obra menor).

Aqui não estamos no espaço da quantidade, muito menos da qualidade; nem da segurança, nem da tradição; não temos abundância literária a priori, nem paz. Palmilhamos técnica passo a passo, linha a linha, idéia a idéia. Não há cientistas, nem laboratórios. Fratura de códigos, rupturas de definições, rasgos de normas como bombas nos trens de domingo, tiros em tardes ensolaradas, sequestro de crianças na casa da mãe, onde as palavras batem de viés, e as idéias, de cabeça para baixo: violência nua, seca, estilhaçante. Não se contam estórias, personagens e opiniões sobre o universo, se manifestam intensidades: despersonalizadas, coletivas, possibilitando novas construções expressivas; se possível, vitais. Aqui não existem soldados, mas guerreiros mobilizados pela sesta do almoço, confundidos, desgraçados, pestilentos, em sarjetas comuns, que surgindo tarefas – a missão – se transformam em atualpas, challpas, ianomanis, e a disciplina brota naturalmente amada, necessária para agir eficientemente pela ação.

Escritores menores precisam encontrar e criar suas obras menores, perdidas pelos cantos das casas, para que consigam montar um livro. Cantores menores se esforçam anicetamente para montar um CD, sem falta sem abundância, justo, completo. Artistas menores são menores. Sem esquemas ou vícios, têm a tática da guerrilha e seus trabalhos, nunca consagrados antes do fim, têm o caráter do experimental. Páginas, quadros, músicas são sempre caminhos desconhecidos onde as almas se perdem, a moral se arrebenta e a verdade se desconhece. Para resistirem a essas picadas, os menores só possuem uma arma: seu coração, sua inspiração, sua vontade, não se apegando a nada, a não ser à determinação de que não há como voltar pra casa. Ah! Mas como se quer voltar pra casa!? Sua única segurança é respeitar seu coração, nunca os códigos. Ah! Mas como distinguir o coração dos códigos!? Por isso são traidores potenciais: suas alianças, localizadas, não conhecem a corrupção dos grandes. Nossa época feia é linda, porque a democracia faliu, o comunismo internacional nunca vai chegar, e ninguém mais acredita em política – nossa religião – e no estado – nosso sacerdote de sacrifícios.

Os jovens com suas máquinas intensas, de todos os tipos, de todos os lugares, de todos os jeitos, fazem explodir nas esquinas suas obras menores, derivadas, incompletas e inúteis… Mas o que são máquinas menores? Juntar o vôo despirocado e torto do pterodáctilo com a solidão moderna e lenta do celacanto, parindo carrapatos, piolhos, cascudinhos e nanorobôs velozes de alegria. Nossa época linda é feia e esta farsa, surgiu dela, pivete, abandonado, que desde pequeno se viu obcecado por um problema menor do autor e dos leitores: suas mortes pessoais, conselheiras de todas as estórias, de todos os canhões-celacanto. Sim! Só podemos voltar para casa se formos eternos!

By Kaslu in Celacanto Provoca Celacanto

Todo o Tempo, Todas as Vezes

Terça-feira, Maio 20th, 2008

Todo o Tempo, Todas as Vezes

 

Às vezes

É preciso assumir a beleza solitária do pôr-do-sol.

É lindo

Mas melancólico.

Mais um dia perdido

Mais uma possibilidade que se acabou

A antiga constatação de que um amigo se foi…

 

Quantas vezes

Já vivi este desdobrado arrebol,

Da noite que se promete

Escura e sem descanso

Cheia de pesadelo

Sonambúlica e cruel.

 

Nessas vezes,

A ação aconteceu em pleno dia

A lembrança começa a se formar no fim do dia

A memória lúgubre se forma plenamente com o pôr-do-sol

E a falta no dia faz sombra,

A noite…

 

Nessa repetida última vez,

Sempre sonho que pode ser a última

Para o bem ou para o mal

Para vida ou para a morte.

Sonho que dessa vez tenha sido a vez de superar….

Mas o pôr-do-sol lindo, real encarnado,

melacolicamente me diz: espere o pior.

Só a beleza mortal justifica a crença de que será iluminada como o dia,

A noite…

By Kaslu

Sem Fundamento

Quarta-feira, Maio 14th, 2008

Sem Fundamento

La grandeza de toda virtud reside en su fidelidad al Tao.
El Tao es algo confuso e intangible
Es confuso e intangible, pero tiene formas.
Es confuso pero brillante porque abarca muchas cosas.
Es profundo y oscuro pero contiene una esencia
Esta esencia es verdadera
Desde los tiempos más remotos conserva invariable su nombre
Es el origen de todos los seres
¿Cómo conocer el origen de todos los seres?
Por esto mismo.

XXI, Tao Te King

I

Pergunto-me se existe um estrato que divide regiões de consciência, um estrato sobre o qual a razão, ou o que entendemos como tal, estaria solidamente assentada. Quando escuto falarem de subconsciência, não me pergunto apenas o que é isso que, como se sugere, possa irromper, emergir até nós. Simplesmente desconfio se é necessário, ao falarmos de tensões não resolvidas, situá-las abaixo do tapete. Ou seja, me pergunto se há este tapete. A partir disso, dessa desconfiança, reflito: se há um estrato, algo abaixo, algo acima, tensões sub-dérmicas e uma razão iluminadora superior, será mesmo verdade que tal reino da razão abole a ação irracional de forças incompreendidas? Será mesmo que existe tal estrato ou plano geográfico onde se apóie nossa lucidez?

Sim, usamos a todo o momento imagens geográficas, mapas cartográficos. Aqui está a consciência do ou no coração. Dois andares abaixo está a consciência do ou no estômago. Mais acima, ou melhor, bem acima, está a consciência da ou na cabeça. Ora, estas imagens não se sustentam sem um chão onde algo se apóie, sem rios subterrâneos e céus iluminando montes que se perdem nas alturas.

Pois então, desconfio de um discurso que fala de um plano onde se apóie nossa pretensa lucidez. Pois este discurso considera tudo que é instinto, corpóreo, sensorial, como algo menor, algo que deva ser mantido sob controle por uma espécie de faculdade superior iluminadora. Mesmo que isso seja culturalmente razoável, ainda assim este discurso dá asas de anjo sacro à cabeça e imputa ao corpo movimentos animalescos profanos. Há um imenso julgamento de valor implícito aí.

II

Pois bem, pergunto: o homem pensa o que quer, quando quer? Que racionalidade soberana é essa que diz o quê, o quando e o como até mesmo do que se deve pensar Que racionalidade é esta que observa o desfile de apetites e desejos e escolhe a partir de sua própria claridade o que deve ou não continuar seu curso? Ou estas perguntas são desnecessárias pois se trata da criação de um homem no qual toda irracionalidade é eliminada, uma espécie de anjo perfeito?

Então como posso não desconfiar de um discurso que se baseia na crença de que a fusão do homem inferior no superior produz um homem que apenas passa a revelar os aspectos superiores? Este tipo de pensamento está viciado desde o seu início. É a priori que se julga o superior como melhor, afinal, geograficamente, o superior é mais elevado que o inferior. Deus é tudo o que o diabo não pode ser, por definição. Como não perceber que se circula apenas remontando conceitos pré-estabelecidos? Já não foi desde o início que se considera a razão como algo mais valoroso que os instintos? E não seria exatamente por isso que se enfia tais instintos debaixo do tapete?

Abaixo, escondido, não aflorado, não percebido, fica essa sub-qualquer-coisa ou essas forças que apenas tensionam, tentam, sim, sempre tentam e, portanto, devem ser julgadas de cima quando finalmente se revelam, julgadas pela razão que nada mais é que uma racionalidade arrogante e preconceituosa que esquece de olhar seu próprio rabo. Os mais racionais são aqueles que aprenderam a esconder melhor esse rabo. Essa racionalidade é a base sobre a qual os psicólogos esotéricos da nova era estão pisando. Não falo de razão, mas de racionalidade, de algo incapaz de olhar seu próprio movimento.

Não há desconfiança para tais homens racionais. Eles acreditam estarem sobre uma placa continental, estável, isenta de tremores, uma planície terra-planada como se fora um livro sagrado escrito pelo próprio deus encarnado de plantão. Então Jesus, essa pedra angular daquele que deve literalmente por a mão na massa, se torna a rocha Pedro sobre a qual toda estupidez se assenta. Essa estupidez se conclama, em nome dessa base, ser razão superior. Às vezes, tal farsa é desmontada apenas para que outro tipo de farsa tome seu lugar: então fala-se de um Jesus interno, um Buda, um verdadeiro ser. O fato é que esta racionalidade não se sustenta sem inventar uma base sólida. Assim é que se inventa o abaixo e o acima.

III

Penso em Hermes, estupefato, que canta seu cântico de louvor e não sabe para onde se dirigir, se é para cima, para baixo, para dentro ou para fora. Hermes dá a mão a Lao Tsé, outro estupefato, que também não sabe para onde ir em seu salmo 21 de seu livro Tao Te King. Ora, todos sabem aonde ir, menos Lao tsé. Ele, neste salmo, é um pária abandonado em meio a um mundo erigido sobre certezas sólidas. Hermes, Lao Tsé e Jesus nunca se tornaram homens superiores, nunca tiveram uma razão iluminadora como supõe a racionalidade humana, e nem poderiam ou podem ser luz alguma para outros. Jesus, outro estupefato, é um homem tão perdido, se encontra tão mal acomodado entre os homens, que não encontra um simples lugar onde possa repousar a cabeça uma noite sequer. Tudo lhe é estranho. Tudo lhe causa enjôo. A força de seus milagres se deve a seu espanto, a sua completa estranheza diante do que se tornou vida humana. Jesus é esse homem completamente assustado. Tamanho é seu susto que isto acorda até mesmo os mortos.

Esse homem é tão inepto para compreender a visão humana que os olhos de quem o encara simplesmente se abrem para além dessa racionalidade que vê apenas as cenas projetadas na tela de suas crenças de auto-preservação. Jesus é tão inusitado em seus movimentos que contagia até mesmos os aleijados que mesmo coxos passavam a andar. Eis aí um homem tão absurdamente deslocado, tão fora de proporções, tão arredio a qualquer classificação ou indexação, que participa do mistério do mundo de forma plena. Qual o sentido em dizer que tal homem existiu? Nenhum passado pode contê-lo. Qual o sentido em dizer que ele retornará? Nenhum futuro pode aguardá-lo nem recebê-lo. Esses homens que não se assentam em bases sólidas são o presente insuspeito. Como tal, não deixam passado nem herança. O que há deles são pistas, traços, marcas não propositais. Se chego até eles é um acidente. Até mesmo pisar onde eles pisaram é um acidente. Não há caminho até isso. Nada que é fixo vale a pena ser encontrado. Pois o que é real é a duração, aquilo que dura em movimento, que nunca poderá ser definido. O que é fixo não passa de um artifício da racionalidade para fazer a vida sobreviver… e somente desse ponto-de-vista pode, a racionalidade, ser respeitada: esse é o seu limite. E exigir dela algo além disso, é perder o movimento do universo, perder a duração….

IV

Então, o que acontece é que simplesmente esbarro na verdade. Se há uma lembrança que me faz reconhecê-la, até mesmo isso não deve, não pode ser usado como regra. Posso a qualquer momento esbarrar na verdade, dar as mãos a ela sem nem saber o que ela é, sem reconhecimento racional. A lembrança pode ser de um tipo insuspeito. Posso fazê-lo por puro instinto, ou por intuição! Se seguro as mãos da verdade, minha racionalidade não é capaz de sabê-lo. Meu corpo o sabe de uma forma muito mais clara o que é isto que tento dizer. O que o corpo sabe é uma experiência, um ato, sua consciência é a do que se apresenta e se faz sentir como presença.

Enquanto isso, minha racionalidade do tipo mística me faz correr para um templo fechado e outras vezes para um aberto, fechar os olhos em meio a esferas psico-acústicas, contar as medidas de arquiteturas erigidas em medidas áureas, escolher cuidadosamente sabores e cores para que o espírito, sempre santo, se derrame, ou para que a palavra se revele, ou que o oculto no coração humano fale, mesmo que no silêncio. E tudo isso é válido, pois até mesmo o engano deve ser compreendido e experimentado. Assim, num desses enganos, num desses descaminhos, a verdade acaba por tocar meus pés ou cabeça. Nunca é o que poderia conclamar em brados altissonantes nem o que poderia crer ter obtido em segredo e mistério. É o que meu corpo sabe em sua linguagem não racional: simplesmente o que não sei ter encontrado.

“Nada é pedra, tudo é areia. Mas devo edificar como se fosse pedra, a areia.”

By Borges

CONTRA A PREGUIÇA II

Quinta-feira, Abril 24th, 2008

CONTRA A PREGUIÇA II
(Como a duração é o progresso contínuo do passado que rói o futuro e infla ao avançar….
Compreenda: o passado não está nem a frente nem atrás, ele está manifestado no presente útil)

 

Tomemos o mais estável dos estados internos: a percepção visual de um objeto exterior imóvel. Por mais que o objeto pareça o mesmo, embora o olhe do mesmo lado, sob o mesmo ângulo, no mesmo dia: a visão não deixa de ser diferente da que acabo de ter, quando já não seja porque envelheceu um pouco. Minha memória lá está, impelindo algo do passado ao presente. Meu estado de alma, avançando na rota do tempo, infla-se continuamente com a duração que acumula; ele faz, por assim dizer, uma bola de neve consigo mesmo. Com mais forte razão o mesmo acontece com os estados mais profundamente interiores: sensações, sentimentos, desejos, etc., que já não correspondem, como a simples percepção visual, a um objeto exterior invariável. Mas é cômodo não dar atenção a essa transformação ininterrupta, e só observar quando se torna suficientemente grande de modo a imprimir ao corpo nova atitude e à atenção uma nova direção. Nesse momento preciso verifica-se que se mudou de estado. A verdade é que mudamos sem cessar, e que o estado por sua vez já é mudança.

 

Isso equivale a dizer que não há diferença essencial entre passar de um estado a outro e persistir no mesmo estado. Se o estado que “continua o mesmo” é mais variado do que o que se crê, inversamente a passagem de um estado a outro assemelha-se mais do que se o imagina a um mesmo estado que se prolonga; a transição é contínua. (…) A aparente descontinuidade da vida psicológica deve-se pois a que nossa atenção se fixa sobre ela por uma série de atos descontínuos: onde só existe um declive suave, cremos perceber os degraus de uma escada ao acompanhar a linha pontilhada de nossos atos de atenção. É certo que nossa vida psicológica é plena de imprevisto. Surgem mil e um incidentes, que parecem justapor-se ao que parece ao que os precede, e não se relacionar com o que os segue. Mas a descontinuidade de seus aparecimentos destaca-se na continuidade de um fundo onde se desenham e ao qual se devem os próprios intervalos que os separam: são os toques de tímpanos que vez por outra soam na sinfonia. Nossa atenção fixa-se sobre eles porque a interessam mais embora cada um deles seja levado pela massa fluída de nossa existência psicológica total. Cada um deles é apenas o ponto mais bem iluminado de uma zona móvel que abrange tudo o que sentimos, pensamos, queremos, tudo, enfim, o que somos em dado momento. Em realidade, é toda essa região que constitui o nosso estado. Ora, pode-se dizer que estados assim definidos não são elementos distintos. Eles se continuam uns aos outros num fluir sem fim.

 

Mas, como nossa atenção os distinguiu e separou artificialmente, é forçada a reuni-los depois mediante um vínculo artificial. Ela imagina assim um eu amorfo, indiferente, imutável, sobre o qual desfilassem ou se enfileirassem os estados psicológicos que ela erigiu em entidades independentes. Onde há uma fluidez de matizes fugidias que se interpenetram, ela percebe cores estanques, e por assim dizer sólidas, que se justapõem como contas variadas de um colar: forçoso lhe é supor então um fio, não menos sólido, que mantenha as contas juntas. Mas se esse substrato incolor é incessantemente matizado pelo que o recobre, na sua indeterminação é para nós como se ele não existisse. Ora, nós só percebemos com precisão o colorido, isto é, estados psicológicos. Na verdade, esse “substrato” não é uma realidade; é, para a nossa consciência, mero signo destinado a lhe lembrar sem cessar o caráter artificial da operação pela qual a atenção justapõe um estado a outro, lá onde há uma continuidade que transcorre. Se nossa existência se compusesse de estados separados dos quais um “eu” impassível devesse fazer a síntese, para nós não haveria duração. Porque um eu que não se transforma não dura, e um estado psicológico que permaneça idêntico a si mesmo também não tem duração se não for substituído pelo estado seguinte. De nada valerá então alinhar esses estados uns ao lado dos outros no “eu” que os mantém, pois jamais esses sólidos enfileirados sobre o sólido constituirão a duração que flui. A verdade é que se obtém assim uma imitação artificial da vida interior, um equivalente estático que melhor se prestará às exigências da lógica e da linguagem, precisamente porque se lhe terá eliminado o tempo real.

By Henri Bergson in Evolução Criadora.

Desesperadamente Humana

Terça-feira, Abril 8th, 2008

Creep

Quando você esteve aqui antes
Eu não pude olhar no seus olhos
Voce é como um anjo
Sua pele me faz chorar

Você flutua como uma pluma
Num mundo bonito
eu queria ser especial
Você é tao fudidamente especial

Mas eu causo arrepios
Eu sou um esquisito

Que porra eu estou fazendo aqui?
Eu não pertenço a este lugar

Eu não me importo se isso machuca
Eu quero ter controle
Eu quero ter um corpo perfeito
Eu quero ter uma alma perfeita

Eu quero que você note
Quando eu não estou em volta
Voce é tao fudidamente especial
Eu queria ser especial

Mas eu causo arrepios
Eu sou um esquisito
Que inferno eu estou fazendo aqui?
Eu não pertenço a este lugar

Ela está fugindo pela porta
Ela está fugindo
Ela corre, corre, corre…
corre…

O que quer que te faça feliz
O que quer que você queira
Voce é tão fudidamente especial
Eu queria ser especial

Mas eu causo arrepios,
Eu sou um esquisito
Que inferno eu estou fazendo aqui?
Eu nao pertenço a este lugar

Eu nao pertenço a este lugar…

By Radio Head in Lyrics 
(Traducion and identification Kaliandra)

Spiderwick – Parte 3

Quarta-feira, Abril 2nd, 2008

A função do Círculo

Um bom show sempre tem três atos. Por quê? Porque três é o número da alma que se realiza magicamente através do mundo quádruplo (duplo refletindo o duplo: os gêmeos do filme spiderwick). Sim, o bom show se realiza em três atos por sobre o palco quadrangular, e é assim que obtemos uma obra esférica completa e plena. Primeiro Ato: Hammadi entra e maneja acrobaticamente as espadas e facas, mostrando a unidade impensável entre manejador, faca e alvo, uma proeza em nosso mundo dividido e em separatividade: mantenha o conhecimento de primeira mão dentro do círculo…

Segundo Ato: Weiss se posiciona como o centro de uma esfera, e mostra que o mundo em movimento e seu alvo não podem quebrar a unidade entre manejador, faca e alvo, demonstrando em grande proeza – atirando facas e espadas em partners presas e girando em círculo de madeira – que o mundo dividido, mesmo que dinâmico, já não é capaz de romper a superação da separatividade pelo manejador: o plano não-dito. Por fim, em terceiro ato, a envergadura final, o manejador kaslu de olhos vendados (pois afinal de contas ele não viu o filme spiderwick) mostra como manejador, faca e mundo, dinâmicos, aparentemente divididos, independem das precondições do homem comum, pois mesmo cego, a superação da separatividade do mundo, não pode mais voltar atrás: a função do círculo.

I

Existe um círculo protetor de cogumelos plantado por spiderwick ao redor da casa em que está o guia de campo, um manual de sobrevivência como o dos militares… Pode parecer loucura retirá-lo de lá, aos que estão há muito tempo em círculo que nasceram dentro de um círculo. Mas Jared o faz, pois sabe que o livro físico e seu conhecimento ali descrito é apenas a sombra do verdadeiro livro, do conhecimento de primeira mão… e, por isso, o círculo de cogumelos é apenas a sombra do verdadeiro círculo não-dito!

Mas para o surgimento do não-dito, deve-se ousar perder a sombra por mais impossível e absurdo que isso possa parecer: quebrar a missão conhecida e informada de que sempre deve-se proteger o livro mantendo-o no interior do círculo de cogumelos!!! Quando Jared ousa levar o livro até o mundo das fadas e encontra Arthur Spiderwick, este lhe diz: "Você consegue, pois você agora é o livro". Jared, o verdadeiro livro!!! Aqui está a definição de um livro sagrado, de qualquer livro sagrado… ele, o livro, só é sagrado quando está vivo, dentro daquele que o detém em primeira mão, pelo conhecimento de primeira mão de sua experiência, e o círculo é por isso vivo e verdadeiro também: feito de criaturas vivas, seus aliados.

II

Um livro e seu conhecimento nunca são definitivos, e a sua melhor expressão é quando pode ser chamado de guia de campo. “Na antiguidade, um livro era tido como sucedâneo da palavra oral e não mais do que isso. Há um trecho onde Platão diz que os livros são como estátuas: parecem seres vivos, mas quando lhe perguntamos algo, não sabem responder. (…) Há também aquela carta, muito bonita e curiosa, que Alexandre envia a Aristóteles, segundo nos conta Plutarco. O filósofo grego acaba de publicar sua “Metafísica”, ou melhor, acaba de mandar fazer algumas cópias. Alexandre critica-o, dizendo que a partir daí todos podiam saber o que antes era privilégio dos eleitos. Aristóteles responde, defendendo-se de modo indiscutivelmente sincero: ´Meu tratado foi e não foi publicado´. Naquela época, não se pensava que um livro expusesse um tema exaustivamente; ele era mais uma espécie de guia para acompanhar o ensino oral” (By Borges). Um livro, um bom livro, não passa de um guia de campo. Os maus livros?! Queime-os.

III

Assim, como não existem livros sagrados, isto é, divinos por si, é somente a conexão com aqueles que têm o conhecimento de primeira mão, que torna uma obra viva, a função do círculo não é permanecer intacto para sempre. As suas primeiras funções são passivas: proteger e ver. O círculo – monóculo – que permite ver os inimigos e os fatos mágicos. O círculo de cogumelos mágicos que protege a integridade do interior do círculo, o guia de campo.

Mas, a principal função do círculo é ser capaz de se sacrificar, no momento exato, na busca de apoio a quem realizará o instante suficiente, que tornará o guia de campo valoroso e ao mesmo tempo desnecessário… E essa ação – como toda verdadeira qualidade – não se realiza por decisão, mas por necessidade… O círculo é sempre a gestação do novo, mas não é o novo… E se seguirmos essa metáfora, sabemos que o ovo precisa ser rompido, que a bolsa d´água independente do que a bolsa d´água pense de si, ela deve romper… Em Senhor dos Anéis, o sacrifício do círculo acontece quando eles decidem enfrentar todo o exército inimigo para desviar a atenção do plano não-dito: a destruição de outro círculo: o anel.

Em Harry Potter VII, todo o seu círculo de amigos enfrenta os comensais da morte, enquanto ele mesmo Harry não volta de sua morte, para realizar o que falta… Em Matrix 3, Zion enfrenta o exército das máquinas, enquanto Neo eTrinity seguem outros caminhos que os levem à questão central, e por fim, Neo soluciona o paradoxo fatal entre ele e Smith… Em todos eles, o círculo é rompido, é sacrificado, para que a missão não-dita seja realizada definitivamente.

 Pois eu falo, me exponho, e não importa que não ouçam… hahaha…

Quem tem ouvidos que ouça o que tenho a dizer às comunidades!!

By Kaslu

POIS O DESERTO ALGUM DIA FOI MAR

Quarta-feira, Março 19th, 2008

O DESERTO É UM TIPO DE MAR

"Tudo é areia, nada é pedra…mas devemos edificar como se fosse pedra a areia…" (By Borges)

areia sand areia
ensandecido aterrado
com a mão estendida
esperando que a realidade do seu amor
seja a mais pura verdade
de meu coração

varrido
como grãos ensandecidos
rodopiando no redemoinho de meus desejos
que nunca criei
que me foram plantados
por essa humanidade wall street
na rua por esses terráqueos ensandecidos
misturados a minha esperança do meu desejo
único de alma
verdadeiro
puro
como o som da sua voz em ouvido
incompreensível
sand areia

By Kaslu

POIS QUE VIDA HÁ ALÉM DALI

Sexta-feira, Março 14th, 2008

POIS QUE VIDA HÁ ALÉM DALI

(for Weiss)

Para aqueles que sabem, que as possibilidades são mínimas,

e que estão sendo massacrados pelos exercícios

de um pretenso "ensaio", de um pretenso "treinamento":

Por um instante estamos aqui
Despindo os olhos
Desenterrando o coração
Respire fundo
E por um instante segure o ar
No exato momento que não é dia e nem noite
Que não é inspiração e nem expiração
Que não é sonho e nem realidade
É nesse momento que se encontra a brecha
Onde está o eixo
Onde está a Eternidade
Portanto
Não espere nem mais um segundo
Respire fundo
Abra seus olhos
Abra o coração
Por um instante estamos aqui
Apenas por um instante.

O único objetivo do treinamento é produzir confiança…

de que pularemos juntos, pela brecha, pelo buraco-ervilha suficiente,

pois ninguém do círculo – ninguém – será deixado para trás

se assim o quiser… pois aqui – e essa é somente a verdade –

temos a harmonia do operacional, o amor da impessoalidade do ato,

a alegria da liberdade de escolha…

pois nada nada esperamos de matrix…

quem se alinhar será considerado um irmão ou uma irmã,

pelo qual todo o círculo merece sucumbir.

E, é também, por isso, que todos do círculo se suportam

pois que vida haveria além dali?

By Kaslu

PEQUENAS DECLARAÇÕES A QUALQUER PATO!!

Domingo, Março 9th, 2008

BEM, PARA COMEÇAR BEM:

Pequenas Declarações a Qualquer Pato

Weiss, Hammadi, Kaslu e Sahid são fantasmas.
Eu, Thomas Anderson 1 e meu sócio Thomas Anderson 2 declaramos que estes fantasmas voluntariamente trabalham para nós, sem remuneração… afinal quem pagaria a fantasmas?
Da mesma maneira, e seguindo este raciocícnio, poderia ser questionado quem contrataria fantasmas. 
Não irei explicar nossa decisão por este tipo de mão de obra (mesmo que financeiramente seja óbvio), porém atirarei francamente (sem plágio) esta mesma questão sobre aqueles que lêem os posts destes mesmos fantasmas.
Estes pobres fantasmas nada sabem.  Nunca pronunciaram uma verdade sequer, nem mesmo quando citam que suas palavras são na melhor das hipóteses mentiras honestas e que sua maior honestidade seria ficar calados. 
Absurdo!  Dizemos em coro, eu e meu Sócio!  Estes fantasmas estão cheios de segundas intenções, pois acreditam eles possuirem alma! 
É preciso não possuir tal anomalia para ser completamente honesto! 
Por isso, acreditem Thomas Anderson 1 e  Thomas Anderson 2 -  quando dizemos que somos honestos e dizemos a verdade - pois nós não possuimos alma!
Dito isto, reafirmamos que estes indivíduos nada podem, nada sabem.  Mesmo que eles falem sobre este absurdo dualista entre alma e ego e outras coisas mais, não se preocupem, não tenham medo. 

Para a tranquilidade de nossos leitores revelamos:
Eles seguem a risca um  código de conduta que não os permite conversar com seres como nós, apenas com outros fantasmas atormentados como eles.  PORTANTO ELES NAO APARECERÃO NA CASA DE NINGUÉM COM SUAS ASSOMBRAÇÕES.
Novamente, não se preocupem.

Mas, como não poderíamos perder esta oportunidade,
se por acaso, você for um fantasma também,
1-do tipo, como eles, que acredita nessa ladainha de fuga da Matrix sem nenhum desenvolvimento do ego;  fuga esta:
2- sem nenhuma sutilização da consciência,
3- sem nenhum acesso aos registros inconscientes e subconscientes e utilização de seus tesouros;  que professa:
4- que não é filho de Deus
5- que os seis bilhôes e tanto de encarnados, fora os desencarnados, estão aprisionados num universo de ilusão; e que, por mais absurdo que seja,
6 – você percebeu isso!
… então venha trabalhar para os Anderson!  Nossa empresa é sem fins lucrativos para os empregados.  Garantimos pelos testes mais modernos que os sócios-proprietários não possuem alma e, portanto, falam somente a verdade.

By TA1 and TA2

PS.: Estamos utillizando o login do kaslu para mostrar o nosso domínio sobre todos os fantasmas…. Pareceu-nos que seria o melhor exemplo a você, Pato, de nossa capacidade de abdução de fantasmas… pois kaslu, o petulante, nunca aceitaria tais idéias… nem weiss, a pura, em seu belo blog novo (que não é dela)…hammadi é alucinado demais e você, pato, desconsideraria a prova de abdução…Sahid funciona a nosso gosto…e é como um refresco à essas estultices…..muito hilário, a nossa maior ligação com a realidade ser feita através de poesias… pois se fosse por kaslu, ninguém entenderia nada mesmo…pato!!!