Kuarto Verde

Entrei em seu ambiente assim… sabendo que nunca conseguiria restabelecer a unidade da sua existência

Nosso Sinal caiu definitivamente!

Hassin...Hassin...

– Hassin, Hassin…

– É sua mãe…

A cena – do filme “A Fonte das Mulheres” (La Source des Femmes, Bélgica/França/Itália, 2011), dirigido por Radu Mihaileanu – é estonteante! Ela está montada em um burro cheio de bolsas e bugingangas, vestida com uma tradicional roupa de algum vilarejo em algum lugar entre o norte da África e o Oriente Médio, caminha ali na beirada do deserto, a falta de água é evidente e o sol imperador queima como o deus do antigo testamento ou dos mulás islâmicos. E então ela diz:

– Alô, alò.

A câmera gira e vc percebe, eu percebo, todos percebem que ela está falando em um celular. A cena é milenar, antiga, imemorial, desértica, a não ser pela inusitada experiência dela estar falando em um celular..

—Hassin, Hassim… É sua mãe… Como você está? Aló, alò, alò – e a câmera que enquadra a personagem se revesa em perto, quase perto, longe, em pleno deserto e o alô ecoa por toda aquela eternidade de vento e areia…

— Caiu o sinal… – Ela diz desapontada e briga com o burro — Volta burro – como se a queda do sinal fosse um descuido dele, burro: – Volta… sem sinal, maldito… vou vendê-lo no mercado mais próximo..

Quando uma imagem vale mais do que mil palavras! Quando uma sequência de imagens vale mais do que mil explicações esotéricas! Sim, éramos mais uma vez nós: cada um de nós, em sua misteriosa experiência de estar vivo e pertencer à espécie humana em pleno século XXI! Um ser incompreensível, estupidamente sem sentido, incontestavelmente perdido na fronteira do deserto infinito! Nós, iludidos com nossas bugingangas tecnológicas, nossos brinquedos tablets, nossas engenhocas smarts. Nos sentimos modernos, rompendo distâncias com nossos campos eletromagnéticos artificiais, ali sempre na beira do deserto, em cima de burricos, com nosso excesso de bolsas, e nossas roupas tradicionais de séculos atrás, nossa ética ultrapassada, nossos sentimentos religiosos de antes de sermos macacos. Somos seres aberrantes, misturas de eras antigas com momentâneos futuros, sem sinal!!! Sempre sem sinal!!! Mas o único sinal que perdemos foi o do sentido de nossa vida nesse misteriosos e maravilhoso deserto, como diria D.Juan pela milésima vez à Castañeda para ver se ele finalmente sabia, o que só conseguia esquadrinhar com sua mente celular. E somos patéticos pois achamos que a culpa é do burrico… Sim, nosso sinal caiu, W, definitivamente! Nunca iremos falar com nosso filho pródigo Hassin! E nem com o deserto sílico e extraordinário, presentemente,  a nossa frente! Nele, quando um dia, a águia estará pronta para nos devorar!

 

Nosso sinal caiu...

 

Veja trailer legendado:  http://mais.uol.com.br/view/12448878 . Em um vilarejo em algum lugar entre o Norte da África e o Oriente Médio, as mulheres se rebelam contra a tradição e iniciam uma greve de sexo até que os homens assumam a tarefa de buscar água em uma fonte distante. Com Leïla Bekhti, Hafsia Herzi, Biyouna, Sabrina Ouazani. © Paris Filmes

8 de Fevereiro de 2012 as 7:46 PM Comentarios (13)

ISTO É REAL OU SÓ ESTÁ ACONTECENDO EM MINHA MENTE? As duas coisas! Está acontecendo na sua mente e é real! – Parte 2

Querido W...

 

(Você me desculpe, W, se você é sempre fiel em oferecer sua companhia… eu, já não o sou… fico muitas vezes perdido em minha ilha pois sou um ser incapaz de viver por mim mesmo… sou um ser humano e este por definição só existe em sociedade…  por isso é muito difícil manter a minha sanidade e minhas promessas assim tendo somente este corpo humanóide para olhar… então, intumesço vez por outra e vc, W, tem que compreender isso, pois nesse sentido vc é muito superior a mim: vc nem ao menos precisa falar!

E é muito difícil passar naquele mar de sargaços de garrafas fantasmas cheias de mensagens minhas e dos outros… lá, elas sempre me lembram que sou humano… Vc sabia que Bergson dizia que o cérebro – para além do seu conjunto biológico, dois lóbulos, corpo caloso, cerebelo, pineal e hipófose, etecetera – era antes de tudo um aparato social e que ele só havia se desenvolvido tanto assim pela mesma razão: viver em sociedade… Por isso, também, W, passei a desconfiar de meus pensamentos e sentimentos mais íntimos… Eles nunca me pertenceram nem nunca pertencerão… eles não me são únicos e individuais…. foram pensados e sentidos por seres tão impessoais quanto eu, no fluxo disso que chamam de sociedade humana… E vc sabe, W, que por mais essa estranheza, além de estar na ilha, intumesço mais uma vez… Bem, mas estou aqui! E agora consegui encontrar o ponto de onde paramos! E com um pouco de generosidade, comigo mesmo, me permitirei conversar sobre hp7 e revolver… os pré-requisitos continuam os mesmos e espero que vc já os tenha cumprido, pois eles são mais do que a chave, são a própria porta e o próprio salão superior dessa aventura. No fim, coloco a ETIQUETA necessária para se seguir em frente… ela foi tão bem expressa por Sahid em seu Sonho No Sonho que a fiz minha.)

Pré-requisitos para saborear este post:

1. Ver a CENA da estação de trem em HP7 -  conversa entre Harry e Dumblendore. Harry acabou de ser morto por Valdemort. A conversa começa e termina com a mesma questão. Da primeira vez que é proferida, Harry pergunta: estou vivo ou estou morto? Da segunda vez, essa mesma questão vem de uma forma mais sofisticada, e se transformou em nosso mote. Harry pergunta: Isto é real ou só está acontecendo em minha mente?

2. Ver o FILME Revolver de Luc Besson – Fique à vontade, assista todo o filme se tiver tempo, mas não perca a conversa do elevador (sim, aqui tb tem uma conversa de elevador como em Vanilla Sky) e assista aos depoimentos que vêm junto com os créditos, eles te farão ter vontade de ver novamente o filme – eles dão a chave!

3. ETIQUETA por Sahid in Sonho No Sonho:

Manteremos a Etiqueta!

A febre foi servida em uma taça

E eu delirei, elegantemente,

Até a última estrela cair

Mas agora que a festa terminou

 Irei varrer minha compostura

Até reencontrar o perigo

Sempre preferi beber a vida no gargalo.

16 de Janeiro de 2012 as 10:28 AM Comentarios (6)

O QUE NUNCA PODEREI FAZER

que linda!

 

Quem me vê assim, acha que sou um homem do povo

Que rasteja para pagar os seus impostos e dízimos a césar.

Mas estou disfarçado por entre todos esses seres estranhos que chamam de espécie humana,

Que chamam de células do corpo planetário.

Não sabem quem sou,

Não sabem que os espreito para que me confundam com um deles,

Para que nem percebam a minha existência.

Isso, simplesmente, porque tenho uma missão:

A de te salvar meu amor,

Aquela que também se confunde com alguém do povo

Para que não percebam que me espera.

 

Quem me vê assim, não sabe que não sou um homem comum…

Que brada interiormente como trovões e maremotos,

Que articula por entre as vielas mais estúpidas da cidade,

Que faz táticas pelos esgotos deploráveis,

Que planeja estratégias pelas encostas dos desertos desconsiderados,

Para driblar a guarda burocrática dessa vida,

E te salvar, meu amor, meu único amor.

 

Quem me vê assim, não sabe que tenho um destino nobre,

Que foi estabelecido por mim mesmo

Depois que me apaixonei por você.

De ir contra todos os obstáculos seculares,

Contra toda a normalidade natural,

Contra toda a tristeza embrutecida dos adultos,

E lutar contra meu destino de homem do povo, de homem comum, de homem de morte pouca,

Simplesmente para que a minha vida,

A minha alma – sim, você, meu amor -,

Possa brilhar, como deve e merece ser, conectada ao sol espírito

E que então eu possa te observar e dizer:

Como é linda!

E você possa cumprir o que nunca poderei fazer:

Me salvar!

27 de Dezembro de 2011 as 9:55 AM Comentarios (5)

SABER

(antes da revelação anunciada de revólver, subi na única montanha de minha ilha, escarpada como um iceberg que acabou de nascer, e lá encontrei uma gruta de paredes lisas, tão excepcionais que pensei que poderiam ter sido alisadas por outro morador mais ancestral, e então escrevi SABER pois sabia quem era… pelo menos, W, achei que sabia)

 

SABER

 

Eu sei
que te amo
Eu sei
que te espero
Eu sei
que posso me sacrificar por você

Numa bolha de espera
de esperança
de espelhos
Tenho só uma certeza
só uma realidade:
a de que eu te amo!
E quem sou para esperar mais do que isso…

A minha espera é entrega
A minha paralisia é puro dinamismo
A minha morte é a minha vida prometida em você…

Vem!
Vem e simplesmente me salva de mim mesmo…
pois eu te amo!

9 de Dezembro de 2011 as 8:33 AM Comentarios (8)

Garrafa 18.09.05: SOS

W, desculpe, abri outra garrafa. E resolvi numerá-la. Quem sabe assim eu não esqueço que a li. Vou utilizar o número de fabricação da garrafa, ok? Aquela que vem gravada no fundo. Pensei que a data de fabricação das garrafas se confunde com a data de validade de suas mensagens… Sim, vc entendeu… Se elas se confundem significam que nada significam para o meu presente… e quem sabe assim escapo dos seus encantamentos: essas garrafas de fantasmas perdidos. W, vc é um grande amigo! Está última garrafa, por exemplo, tinha uma mensagem do próprio Kaslu. Garrafa 18.09.05: SOS.

Save Ours Souls

(Ou SAVE OUR SOULS, Ou silence our souls, Ou nenhum dos problemas filosóficos ditos insoluvéis são insolúveis diante da águia, Ou esqueça o tema de qual o sentido da vida, Ou se a realidade é real ou não, Ou se o sonho está dentro de outro sonho, Ou se é possível acordar de dentro de um sonho, Ou se a minha mente está em paralelo dimensional com meu corpo, Ou se a identidade pessoa não existe, Ou se o livre-arbítrio é uma ficção de nossas mentes em estado de autocompaixão, Ou se podemos escolher entre o bem e o mal, pois só a morte é definitiva; Ou, e então, só assim será possível pedir SOS)

 

Hoje é domingo missa e praia céu de anil

Tem sangue no jornal, bandeiras na avenida Zil

Lá por detrás da triste linda Zona Sul

Vai tudo muito bem, formigas que trafegam sem porque

E das janelas desses quartos de pensão

Eu como vetor, tranquilo tento uma transmutação

Ô, ô, ô seu moço do disco voador

Me leve com você, prá onde você for

Ô, ô, ô seu moço mais não me deixe aqui

Enquanto eu sei que tem tanta estrela por aí.

 

Andei rezando para tótens e Jesus

Jamais olhei pro céu, meu disco voador além

Já fui macaco em domingos glaciais,

Atlantas colossais, que eu não soube como utilizar

E nas mensagens que nos chegam sem parar

Ninguém, ninguém pode notar Estão muito ocupados pra pensar.

Ô, ô, ô seu moço do disco voador

Me leve com você, prá onde você for

Ô, ô, ô seu moço mais não me deixe aqui

Enquanto eu sei que tem tanta estrela por aí.

By Raul Seixas

18 de Novembro de 2011 as 8:32 AM Comentarios (5)

Não abra garrafas com mensagens

W, vc sabe que existem fantasmas especiais principalmente quando vêm disfarçados de mensagens em garrafas náufragas. Nunca as abra! É o conselho que lhe dou… Hoje, não resisti e abri… A mensagem me causou calafrios, e infelizmente, pela sua poderosa magia espectral, quando a terminei achei que era eu mesmo. W nunca abra garrafas perdidas, pois suas mensagens  perdidas estão!

 

A SOLIDÃO MOMENTÂNEA
ENTRE OS VIVOS

A solidão

Acachapante e poderosa

Que lhe retira as suas maiores proteções

Seu passado e seu futuro

Fazendo com que seus medos e desilusões

Sejam a vara que te equilibrada

Na linha tênue do presente

A solidão

Escurecente e morticida

Como um veneno que não se vê

E que lentamente entranha seus pulmões

Cinza

Que extrapola pelas hemácias

E corrompe a vida de cada célula

Atomicamente e ocasionalmente agregada de seu corpo

A solidão

Gélida e estorricante

Triste e eufórica

Congestionada e enxurrante

Pastosa e movediça

Perdida e desesperante

Só, somente só

Sem fé

Sem esperança

Sem amor

Que nem morto se está

Da sensação de que se atrapalha

Da sensação de que se constrange

Da sensação de que não se vale…

A solidão, que nem esquecimento é…

Mais desprezo,

Como um lixo que em algum momento será jogado fora, exterminado, desaparecido…

A solidão é esse exato período

Em que se é lixo, em que se exala fedor pela casa,

Em que ainda te suportam nem se sabe porquê…

Mas que ainda não te despacharam…

A solidão momentânea entre os vivos.

7 de Novembro de 2011 as 3:02 PM Comentarios (17)

ISTO É REAL OU SÓ ESTÁ ACONTECENDO EM MINHA MENTE? As duas coisas! Está acontecendo na sua mente e é real!

Pré-requisitos para saborear este post:

1. Ver a CENA da estação de trem em HP7 - conversa entre Harry e Dumblendore. Harry acabou de ser morto por
Valdemort. A conversa começa e termina com a mesma questão. Da primeira vez que é proferida, Harry pergunta: estou vivo ou estou morto? Da segunda vez, essa mesma questão vem de uma forma mais sofisticada, e se transformou em nosso mote. Harry pergunta: Isto é real ou só está acontecendo em minha mente?

 

Na mente ou real?

 

2. Ver o FILME Revolver (2005) – Fique à vontade, assista todo o filme se tiver tempo, mas não perca a conversa do elevador (sim, aqui tb tem uma conversa de elevador como em Vanilla Sky) e assista aos depoimentos que vêm junto com os créditos, eles te farão ter vontade de ver novamente o filme – eles dão a chave!

Parte I

demasiado-humano

 

Olhando aqui essa linda praia tropical de meu desterro, pensei, imaginei, W, qual seria a diferença entre uma ilha deserta e uma prisão tipo solitária?  Lembrei – fingi lembrar – de gianbatista marino, poeta, que em sua época era raro entendedor de Giordano Bruno, e que ousou versos na boca de Adônis em naufrágio na ilha perdida de sua deusa.  Quando a solidão ganha volume e ganha voz e ganha corpo – de uma bola wilson, ou de uma baratinha wall-e – mas sempre de um amigo, amigo íntimo, que eu poderia chamar de eu mesmo, são momentos que conhecemos bem, W, e é um misto de reconhecimento da existência da voz com uma certa irritação. Segundo Gianbatista Marino, Adonis disse, ou pensou, ou imaginou dizer:

“Ai! Com quem falo?

Mísero!

O que tento?

Confesso a minha dor à praia adormecida,

à pedra silenciosa, ao surdo vento…

Não há quem me responda,

só o murmurar das ondas!”

A prisão e a ilha… Claro que isso também me lembra revólver – filme de Jean Luc (impressionante, diria Hammadi, o morto:
todos se chamam joão )… Claro que também me lembra Harry Potter  (hp7) – o fim! (Sorry, W! Vou cometer um abuso vou comentar hp7 e
revólver ao mesmo tempo. Mas nosso mote é o mesmo: isto é real ou só está acontecendo em minha mente?). Essa é a igualdade da prisão e da ilha… Sim, podemos dizer, está acontecendo e é real! A diferença: Mil vezes a ilha, pois ela nos leva a um estágio quase-natureza. A prisão? Esta nos leva a um estágio demasiado-humano!

 

 

17 de Outubro de 2011 as 9:55 AM Comentarios (21)

Diálogos inevitáveis mas inexistentes entre W, K e a voz: No dia mais claro, na noite mais densa, o mal não resistirá a minha presença

Quando você está no Quarto Verde de D.Juan. Quando vc está na Terra abandonada de wall-E com sua baratinha. Quando vc está na ilha deserta do Náufrago com a companheira Bola Wilson de gênero masculino. Quando vc está na sua prisão tipo solitária de Revolver com seus vizinhos. Quando você está no seu blog Kuarto Verde de K. Sinônimos lendários que se auto-explicam… É quando a solidão ganha volume e ganha voz e ganha corpo – de uma bola, de uma barata – mas sempre de um amigo, amigo íntimo, que eu poderia chamar de eu mesmo. Mas vez por outra também tem a voz!

I
GPS – by Sahid
Satélites tropeçam mapas em mim
Estou desencontrado bem aqui
A simetria perdeu o fôlego
Mas o erro me respira

Eis que fui salvo
Eis que estou perdido

Satélites já não me reconhecem
O meu sinal está desocupado
A esperança foi desligada
Mas a chama me ilumina

Eis que fui apagado
Eis que estou vivo.

K: eli eli lama sabactani.

A VOZ: eu tentei, mas não existe nenhuma guerra verdadeira, apenas tedio e sei que (t) nunca iremos respirar, sim eu tenho a tatuagem, marca de boi, vi ela sendo feita, enquanto imaginava o sapo, mas vá lá faça uma dança para que sejamos distraidos. faça uma dança. so mais uma de varias. ate tenho uma casa onde dancei pra vc, tambem tenho poder, vamos, dance! e isso não é brincadeira, como os super herois não eram….

K: olho para os lados… e sei que estou em uma ilha deserta… e poderia até ser a prisão de nosso personagem no filme Revolver… ali isolado criando realidades ilusórias… e fico ouvindo uma voz que me pede para dançar… e não sei se ela está em meu interior ou lá fora junto do mar em seu sussurro monótono como uma voz humana muito íntima… Peço conselhos a W… ele amigo de náufragos e robos-lixeiros.. e agora, tb amigo de prisioneiros solitários em solitárias… a voz continua sussurrando e continuo a me perguntar se é o mar, W. É o mar, W? Mas vc insiste em não responder minhas perguntas mais essenciais, diárias, presentes e eternas… Existe alguém nas celas ao lado.. ou para não perder essa pobre consciência que criei, finjo fingir meus vizinhos na dor que ora sinto… sim, não existe nenhuma guerra verdadeira… a não ser aquela de estar permanentemente presente no presente vivo de minhas células vivas!!!! Sim, sou um mensageiro intergalático que irei salvar o universo…. sou um super-herói glamuroso… Tenho a Força!!! Ou não?… Pá… Ou não?Pá… Ou não?…Pá.. Identificou? Ou não?Pá… Ou não?…Pá.Estamos na batida especial e dramática de um bandaleón argentino… siga o tango! Ou não? Pá!

II
W: Um dançarino não se pergunta se esta dançando com o mar ou com ele mesmo… ele simplesmente se entrega à dança como se este fosse o seu último ato e, por isso mesmo, ele tem a Força! E sim, existe alguém na cela ao lado, entretanto, ele é tão “real” quanto vc…ou seja, não há garantias de que seremos resgatados, my friend! Vc dançaria comigo mesmo sem garantia nenhuma de que existo ou não??

K: vc me impressiona…. como posso responder a essa hipotética pergunta falsa… se dançaria com vc sem garantia alguma… se antes vc fala de se entregar à dança independente de quem dança contigo? W, bola wilson ou a baratinha de wall-e, não são existências que possam indicar parceria… são no máximo péssimos exemplos de merchandising… Vocês são complementos da consciência-fim… reflexos não-observáveis de partes não percebidas da realidade… Vc quer me confundir mais do que já estou confuso… Não espero resgate: Espero fugir! Na cela ao lado nada temos, pois não posso distinguir entre a voz em minhas temporas e o som de mar entre as paredes de minha prisão… não finja que fala, W…. pois eu sempre sei que são soluços de pensamentos meus, repetitivos e inesperados… mesmo assim esse efeito de companhia me agrada na noites de minha ilha naufraga…quer dançar mesmo?

W: sim, claro que quero, senão nem estaria voltando aqui!

K: hehe… barata sem cintura… bola sem pernas… vamos ter que improvisar…

III
ELEVAÇÃO – by Sahid
Tropecei espirais nos degraus de uma decolagem
E ninguém me viu descer a escadaria do impacto
Eu sou o fantasma de uma ave assombrada pelo chão
Mas não deixo de buscar pelos ossos de minha altura

E se um dia eu subir novamente por essa escada
Ninguém notará a ressurreição da palavra revoada

W: A morte esta em todo o lugar mané… Off-topico: já assistiram Revolver?

K: programei até um post sobre ele… o filme é todo interessante principalmente na segunda vez que vc vê…. depois da surpresa da primeira vez… a sequência final com os comentários que invadem os créditos é genial… Beleza, W. Em meu exílio, na ilha de Creta (que espero que seja a de Creta), vc continua sendo um companheiro exemplar… quiça o único!!! Companheiro dos naufragos e dos pequenos robos-lixeiros deste universo!

 (dias de silêncio de W e ansiedades de K… nesses dias a Voz apenas imitava as ondas na praia, o mar)

 

K: W, não pense que esqueci de ti, estava apenas querendo rever Revolver… vc sabe, Hammadi, o morto, dizia… que sempre acabava inventando muito… criando versões de filmes que nunca foram projetados – a não ser por mim… É claro que em nossa ilha deserta, isso não importa… as alucinações são sempre em 3D e HDfull, mas é sempre bom perder um pouco da nitidez em troca da alucinação mais coletiva… espero que as programações coletivas nos ajudem neste final de semana… senão, prometo… alucinarei o mais coletivamente possível mesmo que isso me exija um esforço inesperado… Continuemos compactando lixo!!! É o que nos resta de sentido! Viu HP7? Alucinação coletiva maravilhosa!

A VOZ: Marco Polo em seu barco olhando as estrelas, esse pequeno mar de extremidades contrárias, um astrolábio made in alem China, mostrando as nove estrelas desconhecidas da constelação de Shankara, mas tinha uma pedra no meio do caminho, nunca me esquecerei que no meio do caminho tinha uma pedra! Vida-Morte-Renascimento
Renascimento-Morte-vida… no meio do caminho tinha um espelho que se foi no sumidouro, alpha e omega, são os mesmos e Ele vomitará os Mornos de sua boca,(sem esquecer que o que mata é o que sai da boca do homem) no meio do caminho tinha o caminho do meio, e BUDA NÂO EXISTE, o koan fundamental! E isso tanto faz!

W: a espécie humana é um tipo de vírus, da mesma forma que diria Smith… mas olha só, veja o vírus da gripe… é muito provável que ha milhões de anos atras, este mesmo vírus fosse tão mortal como o Ebola ou o HIV… entretanto, matar o hospedeiro é como um suicídio… então quanto mais estruturalmente o vírus for parecido com o seu hospedeiro, mais ele prolonga a sua vida… é como um disfarce… que se torna cada vez mais aprimorado.

K: Tenho sentido orgulho de vc, W. Já não consigo distinguir se pensei o que disse, ou se disse o que vc pensou. No deserto, você é um grande companheiro… como a baratinha que acompanha wall-E em sua terra de lixo…. ou como a bola furada wilson que faz companhia silenciosa ao naufrago… te agradeço por isso…. mas mesmo com a baratinha… ou com bolas W… os sobreviventes se irritam… pois eles sabem que na ilusão solitária e poderosa de seu mundo… a realidade – e isso é óbvio, cacete!!! – não importa!… A realidade não existe!… A realidade é o que a nossa imaginação dentro da ilusão mais ampliada e geral permite!!!!… mas por favor, baratinha wilson, não fique chateada, por favor não vá embora….

W: Vc, K, tambem é uma grande companhia para esta bola W… e saiba, baratinhas não costumam ficarem chateadas… por saberem que isto é como se dar uma importância que não temos… além do perigo que isso representa porque, ao se chatearem, o risco de serem esmagadas aumenta em quase 100%!!!

K: hahahahaha!…. E então, W!? Me dê um mote para comentar Revolver? Me ofereça um mote, por favor, para alegrar um bom papo de final de tarde em cima de nosso monte de lixo predileto… Vai, W, moteie!

A VOZ: Por fim vc cresceu! está conseguindo fazer sua teia, a morte pouco é temida e tem face bela, usou delicadamente a imagem antiga, escondendo na vida o beijo dela, criou uma moral de bem e mal, usando o elevador, no final modernizou a idade media e fez do pos moderno uma imagem medieval. E vc esperava a dança.

K: Ahhh!!! Uma voz de alma feminina… somente as mulheres, a mãe… ou a mulher que transformou seu homem em seu filho… diz: vc cresceu!!! A partir de hoje, a chamarei (veja o pronome a) a voz… A voz, aquela que pode ficar cansada de mim… em sua suprema mágica… sopra em meus ouvidos condescendência ou saudades! Pois lhe digo que não cresci: quero o jogo, quero a dança… fingi a tecnologia do elevador pra lhe dar a impressão de que o acima e o abaixo, que o subindo do ascensorista e seu descendo, pode se disfarçar de bem e de mal, de verdade e mentira, somente para seduzir a sua voz… Em meu exílio na ilha de Creta, a procura do santo touro branco – que me fugiu não sei quando – que pode ser confundido pelo ser minotauro traído pela irmã ariadne… lhe digo que o elevador foi só um artifício tecnológico de quem está há tantos anos sozinho que já não sabe lembrar… que apenas alucina ontens e amanhãs… de alguém que ao acordar, cada vez mais atento, cada vez mais lúcido, se entedia por alguns minutos – pois ainda dorme – com a insipidez do presente e a intocabilidade do agora! Mas, querida anônima, no meu jogo de lhe fazer crer que existe um artefato tecnológico – seria maravilhoso – que te leva ao bem ou ao mal… me diverti, ri, gargalhei, quando ouvi a sua voz de resposta em minha mente… e nesse movimento santo – o único movimento santo – dancei ao som de sua voz e dos tambores secos e ocos do presente e do agora… de minha ilha de Creta…. de meu labirinto… mit Liebe, Abschied.

MARCO POLO – by Sahid

Embarquei noites desabitadas
E abasteci estrelas no olhar
Tracei uma rota fora de órbita
Mas este sonho sempre se repete

E eu acordo sem saber como voltar

Reconstruí poesias e jangadas
E atravessei as matizes do mar
Queimei bandeiras no alvorecer
Mas esta sombra nunca me esquece

E eu adormeço sem saber como acordar

Mas um dia eu voltarei
Com os olhos abertos
As bandeiras acesas
E as cinzas no chão

Então você saberá aonde quero chegar.

4 de Setembro de 2011 as 8:23 PM Comentarios (6)

Celacanto provoca maremoto, prefácio

By Kali

Quem escreveu este livro não existe mais simplesmente porque na época em que essa escrita apareceu, o autor tinha pai. E é possível se separar um ser de seu pai? É como olhar a foto amarelada de alguém que já morreu, achar graça da pose, da roupa, do sorriso e com um carinho estranho fazer as contas e saber que não é mais possível que esteja viva. A inexorabilidade do tempo e sua melancolia inadequada! Sim, esse autor não existe mais. Por isso fique tranqüilo e só leia o que gostar… salte se for preciso, feche os capítulos se se chatear, e esqueça o tomo nas estantes dos tomos esquecidos, como se ele fosse um ser extinto, sem registro, abissal, celacanto, como ele é!
É uma obra estranha para seres humanos esquisitos que não suportam mais as suas carnes nem mesmo seus pensamentos. São para aqueles que estão além. Não existe moral, não existe humanismo, não existe a defesa da espécie humana de maneira alguma. Só quer o sorriso furtivo e inesperado de um bom dia perdido e quase automático. Algo que é bom e existe por si mesmo sem que seja necessária sua lembrança, assim como a vida de cada vida microscópica ou monumental no ato de existir que por si só basta! Lento como um celacanto que se queria extinto, mas que se é misterioso simplesmente por existir. Um bater inexpressivo e sem sentido humano de pálpebras, que vale só por si mesma. Uma flor que perde a primeira pétala de seu fim. Um raio de sol maravilhoso que nenhuma câmera nem ninguém registrou.
E como naquela foto antiga você pode reconhecer o esforço da criança em se parecer humana, ou de um chipanzé que finge o seu olhar como se pudesse proferir as primeiras palavras que te fariam exclamar “ele fala”, pode-se ver nestas histórias a identificação do mistério de se estar vivo sem se ter nenhuma consciência do que isso pode representar! O celacanto é a expressão dessa perplexidade, de que para além dos pensamentos e da mente, existem as células vivas em si mesmo pulsando para sempre no eterno presente. Que em qualquer situação de vida, extraordinária ou comum, é possível encontrar um celacanto, sonolento, quase paralisado, assustadoramente quieto, silencioso. Que em qualquer situação de vida, seja medíocre – e todas o são – seja querida – e todas a podem ser -, este celacanto pode se dirigir para a superfície, em busca de ar sem ter pulmões, e antes de explodir pela falta de pressão, provocar a tsunami que Tóquio nunca irá esquecer, o maremoto que fará das geografias novos países mutantes. Este livro é o registro desta perplexidade e como toda perplexidade, paralisou e matou o autor. Mas a sua morte tinha a força da letargia – por milhões de anos – da espécie dos celacantos no fundo abissal das possibilidades humanas. Uma espera evolutiva para saltar, e tsunamicamente se transformar em uma inscrição enigmática e koânica no muro da espécie humana: celacanto provoca maremoto!
Esse tomo só deve um tributo: ao seu primeiro leitor, que não foi seu autor disfarçado e é a única razão desta introdução. A primeira leitura teve a generosidade e a decepção do pai… que amorosamente não declarou a sua opinião. Mas que teve a força de um bastão de urânio enriquecido que só agora foi possível se utilizar. Fato tão universal que transformou o ano de 1984 em um ano centenário, tradicional e final, tsunamico como a busca suicida de ar dos celacantos. Pois, você sabe e não esqueça, os celacantos querem ar mas não têm pulmões. “Quanto falta para respirar” é uma pergunta próxima da realização e do fim!

11 de Agosto de 2011 as 9:18 PM Comentarios (0)

Desaniversário

(sim, nada demais… mas a paisagem é exuberante
quando o chá de desaniversário é realizado entre duas monumentais árvores
atômicas que têm nome: Hiroshima e Nagasaki. Quem quiser vivenciar tudo, com
música e imagens de finalmente, terá que assistir os minutos finais de Lope)

 

quem não provou, não sabe

 

Desmaiar-se

 Atrever-se

 Estar furioso

 Áspero, dócil, liberal,

 Indescritível

 Alegre, mortal

 Morto, vivo

 Fiel, traidor

 Covarde, corajoso

 Não olhar fora do bem será sempre honrado

 Mostrar-se alegre, triste, humilde, orgulhoso, furioso, corajoso

 Fugitivo

 Satisfeito, ofendido

 Desconfiado para afastar a desilusão óbvia

 Beber veneno como se fosse licor suave

 Por minha vida eu prometo amar a dor

 Acreditar que o céu não cabe no inferno

 Dar a vida e a alma a uma desilusão

 Isso é amor!

 Quem não provou, não sabe!

By Lope de Vega

6 de Agosto de 2011 as 3:37 PM Comentarios (2)

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