Kuarto Verde

Entrei em seu ambiente assim… sabendo que nunca conseguiria restabelecer a unidade da sua existência

ISTO É REAL OU SÓ ESTÁ ACONTECENDO EM MINHA MENTE? As duas coisas! Está acontecendo na sua mente e é real!

Pré-requisitos para saborear este post:

1. Ver a CENA da estação de trem em HP7 - conversa entre Harry e Dumblendore. Harry acabou de ser morto por
Valdemort. A conversa começa e termina com a mesma questão. Da primeira vez que é proferida, Harry pergunta: estou vivo ou estou morto? Da segunda vez, essa mesma questão vem de uma forma mais sofisticada, e se transformou em nosso mote. Harry pergunta: Isto é real ou só está acontecendo em minha mente?

 

Na mente ou real?

 

2. Ver o FILME Revolver (2005) – Fique à vontade, assista todo o filme se tiver tempo, mas não perca a conversa do elevador (sim, aqui tb tem uma conversa de elevador como em Vanilla Sky) e assista aos depoimentos que vêm junto com os créditos, eles te farão ter vontade de ver novamente o filme – eles dão a chave!

Parte I

demasiado-humano

 

Olhando aqui essa linda praia tropical de meu desterro, pensei, imaginei, W, qual seria a diferença entre uma ilha deserta e uma prisão tipo solitária?  Lembrei – fingi lembrar – de gianbatista marino, poeta, que em sua época era raro entendedor de Giordano Bruno, e que ousou versos na boca de Adônis em naufrágio na ilha perdida de sua deusa.  Quando a solidão ganha volume e ganha voz e ganha corpo – de uma bola wilson, ou de uma baratinha wall-e – mas sempre de um amigo, amigo íntimo, que eu poderia chamar de eu mesmo, são momentos que conhecemos bem, W, e é um misto de reconhecimento da existência da voz com uma certa irritação. Segundo Gianbatista Marino, Adonis disse, ou pensou, ou imaginou dizer:

“Ai! Com quem falo?

Mísero!

O que tento?

Confesso a minha dor à praia adormecida,

à pedra silenciosa, ao surdo vento…

Não há quem me responda,

só o murmurar das ondas!”

A prisão e a ilha… Claro que isso também me lembra revólver – filme de Jean Luc (impressionante, diria Hammadi, o morto:
todos se chamam joão )… Claro que também me lembra Harry Potter  (hp7) – o fim! (Sorry, W! Vou cometer um abuso vou comentar hp7 e
revólver ao mesmo tempo. Mas nosso mote é o mesmo: isto é real ou só está acontecendo em minha mente?). Essa é a igualdade da prisão e da ilha… Sim, podemos dizer, está acontecendo e é real! A diferença: Mil vezes a ilha, pois ela nos leva a um estágio quase-natureza. A prisão? Esta nos leva a um estágio demasiado-humano!

 

 

17 de Outubro de 2011 as 9:55 AM Comentarios (21)

Diálogos inevitáveis mas inexistentes entre W, K e a voz: No dia mais claro, na noite mais densa, o mal não resistirá a minha presença

Quando você está no Quarto Verde de D.Juan. Quando vc está na Terra abandonada de wall-E com sua baratinha. Quando vc está na ilha deserta do Náufrago com a companheira Bola Wilson de gênero masculino. Quando vc está na sua prisão tipo solitária de Revolver com seus vizinhos. Quando você está no seu blog Kuarto Verde de K. Sinônimos lendários que se auto-explicam… É quando a solidão ganha volume e ganha voz e ganha corpo – de uma bola, de uma barata – mas sempre de um amigo, amigo íntimo, que eu poderia chamar de eu mesmo. Mas vez por outra também tem a voz!

I
GPS – by Sahid
Satélites tropeçam mapas em mim
Estou desencontrado bem aqui
A simetria perdeu o fôlego
Mas o erro me respira

Eis que fui salvo
Eis que estou perdido

Satélites já não me reconhecem
O meu sinal está desocupado
A esperança foi desligada
Mas a chama me ilumina

Eis que fui apagado
Eis que estou vivo.

K: eli eli lama sabactani.

A VOZ: eu tentei, mas não existe nenhuma guerra verdadeira, apenas tedio e sei que (t) nunca iremos respirar, sim eu tenho a tatuagem, marca de boi, vi ela sendo feita, enquanto imaginava o sapo, mas vá lá faça uma dança para que sejamos distraidos. faça uma dança. so mais uma de varias. ate tenho uma casa onde dancei pra vc, tambem tenho poder, vamos, dance! e isso não é brincadeira, como os super herois não eram….

K: olho para os lados… e sei que estou em uma ilha deserta… e poderia até ser a prisão de nosso personagem no filme Revolver… ali isolado criando realidades ilusórias… e fico ouvindo uma voz que me pede para dançar… e não sei se ela está em meu interior ou lá fora junto do mar em seu sussurro monótono como uma voz humana muito íntima… Peço conselhos a W… ele amigo de náufragos e robos-lixeiros.. e agora, tb amigo de prisioneiros solitários em solitárias… a voz continua sussurrando e continuo a me perguntar se é o mar, W. É o mar, W? Mas vc insiste em não responder minhas perguntas mais essenciais, diárias, presentes e eternas… Existe alguém nas celas ao lado.. ou para não perder essa pobre consciência que criei, finjo fingir meus vizinhos na dor que ora sinto… sim, não existe nenhuma guerra verdadeira… a não ser aquela de estar permanentemente presente no presente vivo de minhas células vivas!!!! Sim, sou um mensageiro intergalático que irei salvar o universo…. sou um super-herói glamuroso… Tenho a Força!!! Ou não?… Pá… Ou não?Pá… Ou não?…Pá.. Identificou? Ou não?Pá… Ou não?…Pá.Estamos na batida especial e dramática de um bandaleón argentino… siga o tango! Ou não? Pá!

II
W: Um dançarino não se pergunta se esta dançando com o mar ou com ele mesmo… ele simplesmente se entrega à dança como se este fosse o seu último ato e, por isso mesmo, ele tem a Força! E sim, existe alguém na cela ao lado, entretanto, ele é tão “real” quanto vc…ou seja, não há garantias de que seremos resgatados, my friend! Vc dançaria comigo mesmo sem garantia nenhuma de que existo ou não??

K: vc me impressiona…. como posso responder a essa hipotética pergunta falsa… se dançaria com vc sem garantia alguma… se antes vc fala de se entregar à dança independente de quem dança contigo? W, bola wilson ou a baratinha de wall-e, não são existências que possam indicar parceria… são no máximo péssimos exemplos de merchandising… Vocês são complementos da consciência-fim… reflexos não-observáveis de partes não percebidas da realidade… Vc quer me confundir mais do que já estou confuso… Não espero resgate: Espero fugir! Na cela ao lado nada temos, pois não posso distinguir entre a voz em minhas temporas e o som de mar entre as paredes de minha prisão… não finja que fala, W…. pois eu sempre sei que são soluços de pensamentos meus, repetitivos e inesperados… mesmo assim esse efeito de companhia me agrada na noites de minha ilha naufraga…quer dançar mesmo?

W: sim, claro que quero, senão nem estaria voltando aqui!

K: hehe… barata sem cintura… bola sem pernas… vamos ter que improvisar…

III
ELEVAÇÃO – by Sahid
Tropecei espirais nos degraus de uma decolagem
E ninguém me viu descer a escadaria do impacto
Eu sou o fantasma de uma ave assombrada pelo chão
Mas não deixo de buscar pelos ossos de minha altura

E se um dia eu subir novamente por essa escada
Ninguém notará a ressurreição da palavra revoada

W: A morte esta em todo o lugar mané… Off-topico: já assistiram Revolver?

K: programei até um post sobre ele… o filme é todo interessante principalmente na segunda vez que vc vê…. depois da surpresa da primeira vez… a sequência final com os comentários que invadem os créditos é genial… Beleza, W. Em meu exílio, na ilha de Creta (que espero que seja a de Creta), vc continua sendo um companheiro exemplar… quiça o único!!! Companheiro dos naufragos e dos pequenos robos-lixeiros deste universo!

 (dias de silêncio de W e ansiedades de K… nesses dias a Voz apenas imitava as ondas na praia, o mar)

 

K: W, não pense que esqueci de ti, estava apenas querendo rever Revolver… vc sabe, Hammadi, o morto, dizia… que sempre acabava inventando muito… criando versões de filmes que nunca foram projetados – a não ser por mim… É claro que em nossa ilha deserta, isso não importa… as alucinações são sempre em 3D e HDfull, mas é sempre bom perder um pouco da nitidez em troca da alucinação mais coletiva… espero que as programações coletivas nos ajudem neste final de semana… senão, prometo… alucinarei o mais coletivamente possível mesmo que isso me exija um esforço inesperado… Continuemos compactando lixo!!! É o que nos resta de sentido! Viu HP7? Alucinação coletiva maravilhosa!

A VOZ: Marco Polo em seu barco olhando as estrelas, esse pequeno mar de extremidades contrárias, um astrolábio made in alem China, mostrando as nove estrelas desconhecidas da constelação de Shankara, mas tinha uma pedra no meio do caminho, nunca me esquecerei que no meio do caminho tinha uma pedra! Vida-Morte-Renascimento
Renascimento-Morte-vida… no meio do caminho tinha um espelho que se foi no sumidouro, alpha e omega, são os mesmos e Ele vomitará os Mornos de sua boca,(sem esquecer que o que mata é o que sai da boca do homem) no meio do caminho tinha o caminho do meio, e BUDA NÂO EXISTE, o koan fundamental! E isso tanto faz!

W: a espécie humana é um tipo de vírus, da mesma forma que diria Smith… mas olha só, veja o vírus da gripe… é muito provável que ha milhões de anos atras, este mesmo vírus fosse tão mortal como o Ebola ou o HIV… entretanto, matar o hospedeiro é como um suicídio… então quanto mais estruturalmente o vírus for parecido com o seu hospedeiro, mais ele prolonga a sua vida… é como um disfarce… que se torna cada vez mais aprimorado.

K: Tenho sentido orgulho de vc, W. Já não consigo distinguir se pensei o que disse, ou se disse o que vc pensou. No deserto, você é um grande companheiro… como a baratinha que acompanha wall-E em sua terra de lixo…. ou como a bola furada wilson que faz companhia silenciosa ao naufrago… te agradeço por isso…. mas mesmo com a baratinha… ou com bolas W… os sobreviventes se irritam… pois eles sabem que na ilusão solitária e poderosa de seu mundo… a realidade – e isso é óbvio, cacete!!! – não importa!… A realidade não existe!… A realidade é o que a nossa imaginação dentro da ilusão mais ampliada e geral permite!!!!… mas por favor, baratinha wilson, não fique chateada, por favor não vá embora….

W: Vc, K, tambem é uma grande companhia para esta bola W… e saiba, baratinhas não costumam ficarem chateadas… por saberem que isto é como se dar uma importância que não temos… além do perigo que isso representa porque, ao se chatearem, o risco de serem esmagadas aumenta em quase 100%!!!

K: hahahahaha!…. E então, W!? Me dê um mote para comentar Revolver? Me ofereça um mote, por favor, para alegrar um bom papo de final de tarde em cima de nosso monte de lixo predileto… Vai, W, moteie!

A VOZ: Por fim vc cresceu! está conseguindo fazer sua teia, a morte pouco é temida e tem face bela, usou delicadamente a imagem antiga, escondendo na vida o beijo dela, criou uma moral de bem e mal, usando o elevador, no final modernizou a idade media e fez do pos moderno uma imagem medieval. E vc esperava a dança.

K: Ahhh!!! Uma voz de alma feminina… somente as mulheres, a mãe… ou a mulher que transformou seu homem em seu filho… diz: vc cresceu!!! A partir de hoje, a chamarei (veja o pronome a) a voz… A voz, aquela que pode ficar cansada de mim… em sua suprema mágica… sopra em meus ouvidos condescendência ou saudades! Pois lhe digo que não cresci: quero o jogo, quero a dança… fingi a tecnologia do elevador pra lhe dar a impressão de que o acima e o abaixo, que o subindo do ascensorista e seu descendo, pode se disfarçar de bem e de mal, de verdade e mentira, somente para seduzir a sua voz… Em meu exílio na ilha de Creta, a procura do santo touro branco – que me fugiu não sei quando – que pode ser confundido pelo ser minotauro traído pela irmã ariadne… lhe digo que o elevador foi só um artifício tecnológico de quem está há tantos anos sozinho que já não sabe lembrar… que apenas alucina ontens e amanhãs… de alguém que ao acordar, cada vez mais atento, cada vez mais lúcido, se entedia por alguns minutos – pois ainda dorme – com a insipidez do presente e a intocabilidade do agora! Mas, querida anônima, no meu jogo de lhe fazer crer que existe um artefato tecnológico – seria maravilhoso – que te leva ao bem ou ao mal… me diverti, ri, gargalhei, quando ouvi a sua voz de resposta em minha mente… e nesse movimento santo – o único movimento santo – dancei ao som de sua voz e dos tambores secos e ocos do presente e do agora… de minha ilha de Creta…. de meu labirinto… mit Liebe, Abschied.

MARCO POLO – by Sahid

Embarquei noites desabitadas
E abasteci estrelas no olhar
Tracei uma rota fora de órbita
Mas este sonho sempre se repete

E eu acordo sem saber como voltar

Reconstruí poesias e jangadas
E atravessei as matizes do mar
Queimei bandeiras no alvorecer
Mas esta sombra nunca me esquece

E eu adormeço sem saber como acordar

Mas um dia eu voltarei
Com os olhos abertos
As bandeiras acesas
E as cinzas no chão

Então você saberá aonde quero chegar.

4 de Setembro de 2011 as 8:23 PM Comentarios (6)

Celacanto provoca maremoto, prefácio

By Kali

Quem escreveu este livro não existe mais simplesmente porque na época em que essa escrita apareceu, o autor tinha pai. E é possível se separar um ser de seu pai? É como olhar a foto amarelada de alguém que já morreu, achar graça da pose, da roupa, do sorriso e com um carinho estranho fazer as contas e saber que não é mais possível que esteja viva. A inexorabilidade do tempo e sua melancolia inadequada! Sim, esse autor não existe mais. Por isso fique tranqüilo e só leia o que gostar… salte se for preciso, feche os capítulos se se chatear, e esqueça o tomo nas estantes dos tomos esquecidos, como se ele fosse um ser extinto, sem registro, abissal, celacanto, como ele é!
É uma obra estranha para seres humanos esquisitos que não suportam mais as suas carnes nem mesmo seus pensamentos. São para aqueles que estão além. Não existe moral, não existe humanismo, não existe a defesa da espécie humana de maneira alguma. Só quer o sorriso furtivo e inesperado de um bom dia perdido e quase automático. Algo que é bom e existe por si mesmo sem que seja necessária sua lembrança, assim como a vida de cada vida microscópica ou monumental no ato de existir que por si só basta! Lento como um celacanto que se queria extinto, mas que se é misterioso simplesmente por existir. Um bater inexpressivo e sem sentido humano de pálpebras, que vale só por si mesma. Uma flor que perde a primeira pétala de seu fim. Um raio de sol maravilhoso que nenhuma câmera nem ninguém registrou.
E como naquela foto antiga você pode reconhecer o esforço da criança em se parecer humana, ou de um chipanzé que finge o seu olhar como se pudesse proferir as primeiras palavras que te fariam exclamar “ele fala”, pode-se ver nestas histórias a identificação do mistério de se estar vivo sem se ter nenhuma consciência do que isso pode representar! O celacanto é a expressão dessa perplexidade, de que para além dos pensamentos e da mente, existem as células vivas em si mesmo pulsando para sempre no eterno presente. Que em qualquer situação de vida, extraordinária ou comum, é possível encontrar um celacanto, sonolento, quase paralisado, assustadoramente quieto, silencioso. Que em qualquer situação de vida, seja medíocre – e todas o são – seja querida – e todas a podem ser -, este celacanto pode se dirigir para a superfície, em busca de ar sem ter pulmões, e antes de explodir pela falta de pressão, provocar a tsunami que Tóquio nunca irá esquecer, o maremoto que fará das geografias novos países mutantes. Este livro é o registro desta perplexidade e como toda perplexidade, paralisou e matou o autor. Mas a sua morte tinha a força da letargia – por milhões de anos – da espécie dos celacantos no fundo abissal das possibilidades humanas. Uma espera evolutiva para saltar, e tsunamicamente se transformar em uma inscrição enigmática e koânica no muro da espécie humana: celacanto provoca maremoto!
Esse tomo só deve um tributo: ao seu primeiro leitor, que não foi seu autor disfarçado e é a única razão desta introdução. A primeira leitura teve a generosidade e a decepção do pai… que amorosamente não declarou a sua opinião. Mas que teve a força de um bastão de urânio enriquecido que só agora foi possível se utilizar. Fato tão universal que transformou o ano de 1984 em um ano centenário, tradicional e final, tsunamico como a busca suicida de ar dos celacantos. Pois, você sabe e não esqueça, os celacantos querem ar mas não têm pulmões. “Quanto falta para respirar” é uma pergunta próxima da realização e do fim!

11 de Agosto de 2011 as 9:18 PM Comentarios (0)

Desaniversário

(sim, nada demais… mas a paisagem é exuberante
quando o chá de desaniversário é realizado entre duas monumentais árvores
atômicas que têm nome: Hiroshima e Nagasaki. Quem quiser vivenciar tudo, com
música e imagens de finalmente, terá que assistir os minutos finais de Lope)

 

quem não provou, não sabe

 

Desmaiar-se

 Atrever-se

 Estar furioso

 Áspero, dócil, liberal,

 Indescritível

 Alegre, mortal

 Morto, vivo

 Fiel, traidor

 Covarde, corajoso

 Não olhar fora do bem será sempre honrado

 Mostrar-se alegre, triste, humilde, orgulhoso, furioso, corajoso

 Fugitivo

 Satisfeito, ofendido

 Desconfiado para afastar a desilusão óbvia

 Beber veneno como se fosse licor suave

 Por minha vida eu prometo amar a dor

 Acreditar que o céu não cabe no inferno

 Dar a vida e a alma a uma desilusão

 Isso é amor!

 Quem não provou, não sabe!

By Lope de Vega

6 de Agosto de 2011 as 3:37 PM Comentarios (2)

Antes de ser Potter, sou Voldemort

A LINHA VERTICAL REPRESENTA A VARINHA DO MAIS VELHO. O CÍRCULO REPRESENTA A PEDRA DA RESSURREIÇÃO. E O TRIÂNGULO, QUE TUDO ENVOLVE, REPRESENTA O MANTO DA IMORTALIDADE

(O mais velho, enquanto descansava de mais um combate vencido, teve sua garganta cortada enquanto dormia, e sua varinha foi roubada. A morte fez seu exame e o levou aos seus. O do meio, arrogante, não conseguiu utilizar bem a sua pedra para ressuscitar seu amor. Enlouqueceu e se matou. A morte o examinou e o levou aos seus. O terceiro nunca foi encontrado até que passou o seu manto para seu filho. E a morte o admirou, e o reconheceu como seu par e partiram juntos daquele lugar. ELDER WAND – A LENDA DOS TRÊS IRMÃOS)
Pois sete são o chakras no homem, segundo o induísmo… pois sete são os corpos do homem, segundo o budismo… e sete, ao somarmos os três santuários da alma e os quatro tipos de corpos, no homem do gnosticismo… mas veja que interessante, a lenda… e então se esforce para entender: antes de ser Potter, sou Voldemort… Prepare-se pois aqui vai um spoiler espiritual se vc não passa de um trouxa… Sofra: Pelos Horcruxes de Voldemort!! Ou liberte-se pela morte de Potter!
Então veja se compreende: Seres humanos nônuplos (com suas separações trimenbradas entre corpo, alma e espírito) são trouxas. Seres humanos sétuplos são bruxos e a iniciação se demonstra na esperança de um dia ser imortal!
Voldemort, em seu desejo de ser imortal, raciocinou corretamente ao achar que seria uma boa estratégia despedaçar sua alma em sete pedaços para enganar seus inimigos e a própria morte…. os pedaços de sua alma foram confiados à terrível magia dos horcruxes. Os Seis Horcruxes: a cobra Nagini, a tiara de Rowena Ravenclaw, a Taça de Helga Hufflepuff, um medalhão pertencente a Salazar Slytherin, um anel pertencente a Marvolo Gaunt, o diário de Tom Riddle… A sétima parte fica em si mesmo, a não ser que por uma ironia do destino você, Voldemort, acabe transferindo a sétima parte para seu inimigo, “o menino que sobreviveu”. Ele, Potter, deve ter algo de especial, algo de divino, algo de imortal… Na sua ânsia de atingir a imortalidade, o eu de Voldemort (a alma, o pensamental, o sol, o coração) acaba por tocar o principio da imortalidade em si mesmo e por uma mágica para além da mágica, que só os livros de histórias infantis contam, aquela de Alice atrás do espelho onde o reflexo é mais poderoso do que a realidade, o sétimo pedaço da alma de Valdemort deixa o seu corpo e é transferido para Potter. E é justamente por isso, veja se me entendem, pois Potter entende, que Potter tem que morrer (e por isso se deixa matar)… pois nele há um principio de morte que precisa morrer… Potter precisa morrer para renascer e assim salvar o mundo… Pois essa é a maldição de Voldemort… o seu principio de morte – mesmo que dividido em sete pedaços – nunca será um princípio de vida…

Antes de Potter, sou Voldemort

(Spoilers para trouxas: Voldemort, apesar das explicações de Potter sobre a falha de seu plano, insiste e lança mais uma vez, uma maldição Avada Kedavra sobre o menino. A varinha do mais velho reconhece o seu novo mestre Potter e a maldição é lançada contra o próprio Voldemort… que cai morto… Mas antes, Potter teve que morrer…. )
Veja se me compreende: Potter tem que morrer para que possa renascer sem nenhum principio de morte em si e assim salvar o mundo de Hogwarts, o seu microcosmo… Somos primeiro trouxas nônuplos, e depois, se sétuplos, somos bruxos…. se formos fundo e compreendermos que isso não resolve… então – veja se me compreende – somos aqueles que anseiam pela imortalidade, somos Voldemort… se esse anseio é puro então transferimos o sétimo pedaço de nossa alma para o princípio Potter, a famosa centelha divina… e dessa forma, o resto você já sabe… e tem o som da inevitabilidade de sua morte, Thomas Anderson… Mas seu nome já não será mais esse, será Neo, Potter, Cristo, Buda, Lao-tse, Mani…. E esta lenda só terá valor se ela se realizar em você mesmo. Se assim não o for, simplesmente, sofra e durma! E essa é somente a verdade… (Registro de viagem: Sexta -feira, Setembro 14 2007 – postado originalmente por Kaslu às 3:26 PM).
By K – in Manual de Sobrevivência e Morte: Somente a Verdade

1 de Agosto de 2011 as 9:23 PM Comentarios (0)

X-men e K-labirintos

“Mas isso (triste de nós que trazemos a alma vestida), isso exige um estudo profundo, uma aprendizagem do desaprender” …. Estou há tanto tempo perdido e sozinho que pensei que eu mesmo havia escrito isso… me pareceu tão familiar… tão da minha pessoa, mas pertencia ao Fernando, que se entregou muito mais ao ato de escrever como forma de percorrer o labirinto do que eu mesmo… outrando, sempre…para suportar a mesmice birfurcada dos seus caminhos.

Sigo, então, com outro texto que também não lembro de ser meu, que diz que buscar saber sobre o labirinto (por Antonio Perfetti parece) significa mergulhar na noite dos tempos  e ali, no passado ancestral,  garimpar narrativas e  formas primordiais de pensamento. Perfetti aponta para a Antiguidade, ao Labirinto de Creta, formado por um caminho único que se intrica, se retorce e se dirige a um Centro, de que se avizinha e de que sucessivamente se afasta, mas que deve, forçosamente, atingir e que, portanto, não apresenta ao viajante o desafio das escolhas, já que não há bifurcações e nem becos sem saída. Uma vez tendo o viajante seguido o caminho que o Labirinto lhe oferece e tendo, íntegro,  chegado ao Centro e lá ter resolvido o dilema que se apresenta, a saída está em ter-se a si mesmo como eixo e, girando num arco de 180º,  reconfigurar-se. Um ato estranho complexo e zen-budista, de se auto-espelhar, como em um koan definitivo: caleidoscópio de paradoxos.

Mas é interessante Perfetti dizer que não há escolhas no labirinto de Creta pois não há bifurcações! Veja sempre se associa a bifurcação ao labirinto… Borges faz isso correntemente. O que Perfetti está atentando sobre o labirinto de Creta? O labirinto de Creta só tem um caminho e basta percorrê-lo que vc chegará ao seu centro e posteriormente de seu centro para fora. Mas pq então as pessoas se perdem e são devoradas pelo Minotauro, ou morrem no percurso? Pq a bifurcação não é físico-espacial (material). Ela é temporal (imaterial), diria Borges. Ela está em sua mente. A bifurcação é Xavier e Magneto! A bifurcação está no momento da desorientação, quando vc na dúvida de sua mente se pergunta: já passei por aqui? Já estive aqui? Estou perto do centro? Estou muito próximo do minotauro, do meu dilema? E então vc cria a bifurcação temporal: sigo em frente ou volto? Por isso Teseu não erra: pq ele tem o fio de ouro de Ariadne! E está determinado a matar o minotauro. Ele não tem dúvida: ele não cria a bifurcação temporal. Portanto, simplesmente, onde tem fio, ele já passou, onde não tem fio, ele não passou… e como não há, em Creta, bifurcações físicas ou becos sem saída: Teseu nunca está perdido, não é um errante: Teseu não erra! E depois que resolve o dilema que está no Centro, pode mais uma vez utilizar o fio de Ariadne e sair para sempre do labirinto.

Veja… Siga com o dedo, no desenho, a solução do labirinto… não há como errar… não há bifurcação… não há beco sem saída… não há como não chegar ao centro. A única lei – e vc verá ao percorrer a solução com o dedo – é que vc deve percorrer todos os caminhos do labirinto para chegar ao centro: não há local que vc não passe, ou que possa evitar, caso mantenha a missão de chegar ao centro. Por isso, pasme, a bifurcação é temporal  e os becos sem saída são virtuais.

É que (como o Labirinto de Creta), a vida não tem bifurcações físicas, e se não existem bifurcações, significa que a vida será percorrida em toda a sua extensão, vc queira ou não! Por isso, Magneto preso ao passado e Xavier preso ao futuro são reflexos de um espelho frente a outro espelho que não incluem vc, mutante! É como ser americano ou russo, nazista ou judeu, humano ou x-man. Com a ilusão maior de que parece que vc só conseguira libertar a sua potência mutante se tiver raiva ou dor! A força mutante se libera em algum ponto entre a raiva e a serenidade. Em algum ponto entre Xavier e Magneto, justamente naquele ponto que chamamos de presente e que não importa a qualidade que temos se russo, americanos, judeu, nazista, humano ou x-man. Porque nesse ponto, o presente, se realiza a própria vida eternamente! Em nosso maravilhoso filme, em que algumas vezes somos – politicamente corretos – Xavier, e que em outros momentos somos – deliciosa e vingativamente – arrastados a ser Magneto, somente em uma cena a liberdade do presente é eterna: naquele ser que não tem a menor memória de quem é, e sabe que ninguém pode dizê-lo, pois isso é uma ficção da bifurcação temporal… “Sou Xavier. Sou Magneto. Estamos recrutando… Vão se fuder!!!” Sim, Wolverine – Jean-Fenix sabe – é a única paixão que vale a pena! Wolverine retribui.

Bricolage by K

20 de Junho de 2011 as 1:18 AM Comentarios (48)

Escrito num livro abandonado em viagem

 

Venho dos lados de Beja.

Vou para o meio de Lisboa.

Não trago nada e não acharei nada

Tenho cansaço antecipado do que não acharei,

E a saudade que sinto não é nem no passado nem no futuro.

Deixo escrita neste livro a imagem do meu desígno morto:

Fui, como ervas, e não me arrancaram.

 By Álvaro Campos

13 de Junho de 2011 as 12:19 PM Comentarios (6)

Primeira Classe – X-men

(Ou somos humanos: ou somos dançarinos? Ou somos algo entre a raiva e a serenidade? Somos mutantes? Mas me ouçam bem: Vão se ferrar!!)

 

No verso, desta moeda, deste zahir, a vida ou a morte?

 

Humanos

Eu fiz o meu melhor para perceber
quando o chamado veio
Na plataforma de entrega
Fui levado mas fui gentil
E às vezes eu fico nervoso
Quando eu vejo uma porta aberta
Feche os olhos
Limpe seu coração
Corte o cordão
Somos humanos?
Ou somos dançarinos?
Meu sinal é vital
Minhas mãos estão geladas
Eu estou de joelhos
Esperando a resposta
Somos humanos?
Ou somos dançarinos?
Apresente meu respeito para graça e virtude
Envie minhas condolências para o bem
Dê meus cumprimentos a alma e romance
Eles sempre fizeram o melhor que podiam
E adeus à devoção
Me ensinou tudo que sei
Acene adeus,
Deseje-me sorte
Você tem que me deixar ir
Somos humanos?
Ou somos dançarinos?
Meu sinal é vital
Minhas mãos estão geladas
E estou de joelhos
Procurando a resposta
Somos humanos?
Ou somos dançarinos?
Seu sistema ficará bem
Quando sonhar com o lar hoje a noite
Não há mensagem que estamos recebendo
Deixe-me saber, seu coração ainda bate?
Somos humanos?
Ou somos dançarinos?
Meu sinal é vital
Minhas mãos estão geladas
E estou de joelhos
Procurando a resposta
Você tem que me deixar saber
Somos humanos?
Ou somos dançarinos?
Meu sinal é vital
Minhas mãos estão geladas
E estou de joelhos
Procurando a resposta
Somos humanos?
Ou somos dançarinos?
Somos humanos?
Ou somos dançarinos?
Somos humanos?
Ou somos dançarinos?

By The Killers

11 de Junho de 2011 as 12:03 PM Comentarios (3)

E pacientemente, construiu o seu fim

 

(Ou ainda sobre quartos verdes. Ou porque Kali Kali se transformou em espelho de si mesma. Ou como pode ser diferente? Nada escapa à dobra, nada escapa ao ato de se dobrar. Por isso é preciso achar a posição especial em seu lugar de poder)

posição antes de fincar a espada no quarto verde

 

E então..

primeiro com o som de um quebrar, 

depois com o som de uma brecha que se abre,

depois com um som de uma rachadura que se aprofunda,

depois com o som do ruir total do quarto verde,

depois com o estremecimento do coração ao se ver uníssono com o terremoto que se generaliza,

depois com a estrondosa explosão da Terra lascando,

da Terra abrindo,

da Terra se dividindo num som surdo no meio do universo,

se tranformando em um ovo luminoso duplo, como um nagual….,

o mundo se apagou,

desapareceu com seu ponto de aglutinação…

sendo deslocado para regiões inesperadas

até chegar naquele da flama interior total…

e nada disso importava para aquele guerreiro e sua espada:

pois não sentia falta de ninguém,

nem tinha pena de estar sozinho,

não sentia falta nem de si mesmo:

somente uma coisa importava:

a impecabilidade do seu ato,

da espada cravando o centro daquele quarto verde:

mesmo que – com isso – o mundo desaparecesse.

E isso também não importava.

Ele só espera poder encontrar com a águia

e então…

driblá-la,

enquanto ela sorri de satisfação por aquele feito maroto!

In Manual de Sobrevivência e Morte

5 de Junho de 2011 as 11:22 AM Comentario (1)

Porque Kuarto Verde?

(ou quando a Versão de Kaslu – VK – se transforma em Kuarto Verde – KV. Ou ainda, qual o critério para estar morto? Ou ainda e por fim, aqui e agora, porque vc pode entender que ninguém sou eu? Ou, de outra forma, o quarto sempre foi verde)

o quarto sempre foi verde

 

“Nunca havia estado só até que conheci D. Juan:

- Desfaça de seus amigos. Eles nunca lhe permitirão atuar com independência – lhe conhecem demasiado bem. Nunca serás capaz de chegar com algo novo… desvastador.

D.Juan me disse que alugasse um quarto, quanto mais sórdido melhor. Algo com pisos verdes e cortinas verdes que escorressem goteiras e com cheiro de cigarros.

- Fique aí, me disse, fique só até que esteja morto.

Eu lhe disse que não poderia fazê-lo. Não queria deixar meus amigos.

- Bem, então não posso nunca mais falar contigo, ele disse.

Agitei a mão despedindo-me, em um grande sorriso. Oh! Como estava aliviado! Este velho louco – este índio – me havia deixado perdido. E, agora, tudo isto tinha solucionado-se com tamanha perfeição. No entanto, quanto mais me aproximava de Los Angeles mais desesperado me sentia. Me dei conta que ia para casa – com meus amigos. E para quê? Para sustentar conversas sem sentido com aqueles que me conheciam tão bem. Para sentar-me no sofá perto do telefone para esperar ser convidado para uma festa. Uma repetição sem fim. Fui para o quarto verde e chamei D.Juan.

- Olha, não é que vá fazê-lo – mas diga-me, qual é o critério para estar morto?

- Quando já não se importe mais em estar acompanhado ou estar sozinho. Este é o critério para estar morto.

Levei três meses…”

By Castañeda

30 de Maio de 2011 as 11:17 AM Comentarios (6)

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