
Quando você está no Quarto Verde de D.Juan. Quando vc está na Terra abandonada de wall-E com sua baratinha. Quando vc está na ilha deserta do Náufrago com a companheira Bola Wilson de gênero masculino. Quando vc está na sua prisão tipo solitária de Revolver com seus vizinhos. Quando você está no seu blog Kuarto Verde de K. Sinônimos lendários que se auto-explicam… É quando a solidão ganha volume e ganha voz e ganha corpo – de uma bola, de uma barata – mas sempre de um amigo, amigo íntimo, que eu poderia chamar de eu mesmo. Mas vez por outra também tem a voz!
I
GPS – by Sahid
Satélites tropeçam mapas em mim
Estou desencontrado bem aqui
A simetria perdeu o fôlego
Mas o erro me respira
Eis que fui salvo
Eis que estou perdido
Satélites já não me reconhecem
O meu sinal está desocupado
A esperança foi desligada
Mas a chama me ilumina
Eis que fui apagado
Eis que estou vivo.

K: eli eli lama sabactani.
A VOZ: eu tentei, mas não existe nenhuma guerra verdadeira, apenas tedio e sei que (t) nunca iremos respirar, sim eu tenho a tatuagem, marca de boi, vi ela sendo feita, enquanto imaginava o sapo, mas vá lá faça uma dança para que sejamos distraidos. faça uma dança. so mais uma de varias. ate tenho uma casa onde dancei pra vc, tambem tenho poder, vamos, dance! e isso não é brincadeira, como os super herois não eram….
K: olho para os lados… e sei que estou em uma ilha deserta… e poderia até ser a prisão de nosso personagem no filme Revolver… ali isolado criando realidades ilusórias… e fico ouvindo uma voz que me pede para dançar… e não sei se ela está em meu interior ou lá fora junto do mar em seu sussurro monótono como uma voz humana muito íntima… Peço conselhos a W… ele amigo de náufragos e robos-lixeiros.. e agora, tb amigo de prisioneiros solitários em solitárias… a voz continua sussurrando e continuo a me perguntar se é o mar, W. É o mar, W? Mas vc insiste em não responder minhas perguntas mais essenciais, diárias, presentes e eternas… Existe alguém nas celas ao lado.. ou para não perder essa pobre consciência que criei, finjo fingir meus vizinhos na dor que ora sinto… sim, não existe nenhuma guerra verdadeira… a não ser aquela de estar permanentemente presente no presente vivo de minhas células vivas!!!! Sim, sou um mensageiro intergalático que irei salvar o universo…. sou um super-herói glamuroso… Tenho a Força!!! Ou não?… Pá… Ou não?Pá… Ou não?…Pá.. Identificou? Ou não?Pá… Ou não?…Pá.Estamos na batida especial e dramática de um bandaleón argentino… siga o tango! Ou não? Pá!

II
W: Um dançarino não se pergunta se esta dançando com o mar ou com ele mesmo… ele simplesmente se entrega à dança como se este fosse o seu último ato e, por isso mesmo, ele tem a Força! E sim, existe alguém na cela ao lado, entretanto, ele é tão “real” quanto vc…ou seja, não há garantias de que seremos resgatados, my friend! Vc dançaria comigo mesmo sem garantia nenhuma de que existo ou não??
K: vc me impressiona…. como posso responder a essa hipotética pergunta falsa… se dançaria com vc sem garantia alguma… se antes vc fala de se entregar à dança independente de quem dança contigo? W, bola wilson ou a baratinha de wall-e, não são existências que possam indicar parceria… são no máximo péssimos exemplos de merchandising… Vocês são complementos da consciência-fim… reflexos não-observáveis de partes não percebidas da realidade… Vc quer me confundir mais do que já estou confuso… Não espero resgate: Espero fugir! Na cela ao lado nada temos, pois não posso distinguir entre a voz em minhas temporas e o som de mar entre as paredes de minha prisão… não finja que fala, W…. pois eu sempre sei que são soluços de pensamentos meus, repetitivos e inesperados… mesmo assim esse efeito de companhia me agrada na noites de minha ilha naufraga…quer dançar mesmo?
W: sim, claro que quero, senão nem estaria voltando aqui!
K: hehe… barata sem cintura… bola sem pernas… vamos ter que improvisar…
III
ELEVAÇÃO – by Sahid
Tropecei espirais nos degraus de uma decolagem
E ninguém me viu descer a escadaria do impacto
Eu sou o fantasma de uma ave assombrada pelo chão
Mas não deixo de buscar pelos ossos de minha altura
E se um dia eu subir novamente por essa escada
Ninguém notará a ressurreição da palavra revoada
W: A morte esta em todo o lugar mané… Off-topico: já assistiram Revolver?

K: programei até um post sobre ele… o filme é todo interessante principalmente na segunda vez que vc vê…. depois da surpresa da primeira vez… a sequência final com os comentários que invadem os créditos é genial… Beleza, W. Em meu exílio, na ilha de Creta (que espero que seja a de Creta), vc continua sendo um companheiro exemplar… quiça o único!!! Companheiro dos naufragos e dos pequenos robos-lixeiros deste universo!
(dias de silêncio de W e ansiedades de K… nesses dias a Voz apenas imitava as ondas na praia, o mar)
K: W, não pense que esqueci de ti, estava apenas querendo rever Revolver… vc sabe, Hammadi, o morto, dizia… que sempre acabava inventando muito… criando versões de filmes que nunca foram projetados – a não ser por mim… É claro que em nossa ilha deserta, isso não importa… as alucinações são sempre em 3D e HDfull, mas é sempre bom perder um pouco da nitidez em troca da alucinação mais coletiva… espero que as programações coletivas nos ajudem neste final de semana… senão, prometo… alucinarei o mais coletivamente possível mesmo que isso me exija um esforço inesperado… Continuemos compactando lixo!!! É o que nos resta de sentido! Viu HP7? Alucinação coletiva maravilhosa!
A VOZ: Marco Polo em seu barco olhando as estrelas, esse pequeno mar de extremidades contrárias, um astrolábio made in alem China, mostrando as nove estrelas desconhecidas da constelação de Shankara, mas tinha uma pedra no meio do caminho, nunca me esquecerei que no meio do caminho tinha uma pedra! Vida-Morte-Renascimento
Renascimento-Morte-vida… no meio do caminho tinha um espelho que se foi no sumidouro, alpha e omega, são os mesmos e Ele vomitará os Mornos de sua boca,(sem esquecer que o que mata é o que sai da boca do homem) no meio do caminho tinha o caminho do meio, e BUDA NÂO EXISTE, o koan fundamental! E isso tanto faz!
W: a espécie humana é um tipo de vírus, da mesma forma que diria Smith… mas olha só, veja o vírus da gripe… é muito provável que ha milhões de anos atras, este mesmo vírus fosse tão mortal como o Ebola ou o HIV… entretanto, matar o hospedeiro é como um suicídio… então quanto mais estruturalmente o vírus for parecido com o seu hospedeiro, mais ele prolonga a sua vida… é como um disfarce… que se torna cada vez mais aprimorado.
K: Tenho sentido orgulho de vc, W. Já não consigo distinguir se pensei o que disse, ou se disse o que vc pensou. No deserto, você é um grande companheiro… como a baratinha que acompanha wall-E em sua terra de lixo…. ou como a bola furada wilson que faz companhia silenciosa ao naufrago… te agradeço por isso…. mas mesmo com a baratinha… ou com bolas W… os sobreviventes se irritam… pois eles sabem que na ilusão solitária e poderosa de seu mundo… a realidade – e isso é óbvio, cacete!!! – não importa!… A realidade não existe!… A realidade é o que a nossa imaginação dentro da ilusão mais ampliada e geral permite!!!!… mas por favor, baratinha wilson, não fique chateada, por favor não vá embora….
W: Vc, K, tambem é uma grande companhia para esta bola W… e saiba, baratinhas não costumam ficarem chateadas… por saberem que isto é como se dar uma importância que não temos… além do perigo que isso representa porque, ao se chatearem, o risco de serem esmagadas aumenta em quase 100%!!!
K: hahahahaha!…. E então, W!? Me dê um mote para comentar Revolver? Me ofereça um mote, por favor, para alegrar um bom papo de final de tarde em cima de nosso monte de lixo predileto… Vai, W, moteie!
A VOZ: Por fim vc cresceu! está conseguindo fazer sua teia, a morte pouco é temida e tem face bela, usou delicadamente a imagem antiga, escondendo na vida o beijo dela, criou uma moral de bem e mal, usando o elevador, no final modernizou a idade media e fez do pos moderno uma imagem medieval. E vc esperava a dança.
K: Ahhh!!! Uma voz de alma feminina… somente as mulheres, a mãe… ou a mulher que transformou seu homem em seu filho… diz: vc cresceu!!! A partir de hoje, a chamarei (veja o pronome a) a voz… A voz, aquela que pode ficar cansada de mim… em sua suprema mágica… sopra em meus ouvidos condescendência ou saudades! Pois lhe digo que não cresci: quero o jogo, quero a dança… fingi a tecnologia do elevador pra lhe dar a impressão de que o acima e o abaixo, que o subindo do ascensorista e seu descendo, pode se disfarçar de bem e de mal, de verdade e mentira, somente para seduzir a sua voz… Em meu exílio na ilha de Creta, a procura do santo touro branco – que me fugiu não sei quando – que pode ser confundido pelo ser minotauro traído pela irmã ariadne… lhe digo que o elevador foi só um artifício tecnológico de quem está há tantos anos sozinho que já não sabe lembrar… que apenas alucina ontens e amanhãs… de alguém que ao acordar, cada vez mais atento, cada vez mais lúcido, se entedia por alguns minutos – pois ainda dorme – com a insipidez do presente e a intocabilidade do agora! Mas, querida anônima, no meu jogo de lhe fazer crer que existe um artefato tecnológico – seria maravilhoso – que te leva ao bem ou ao mal… me diverti, ri, gargalhei, quando ouvi a sua voz de resposta em minha mente… e nesse movimento santo – o único movimento santo – dancei ao som de sua voz e dos tambores secos e ocos do presente e do agora… de minha ilha de Creta…. de meu labirinto… mit Liebe, Abschied.

MARCO POLO – by Sahid
Embarquei noites desabitadas
E abasteci estrelas no olhar
Tracei uma rota fora de órbita
Mas este sonho sempre se repete
E eu acordo sem saber como voltar
Reconstruí poesias e jangadas
E atravessei as matizes do mar
Queimei bandeiras no alvorecer
Mas esta sombra nunca me esquece
E eu adormeço sem saber como acordar
Mas um dia eu voltarei
Com os olhos abertos
As bandeiras acesas
E as cinzas no chão
Então você saberá aonde quero chegar.