Kuarto Verde

Entrei em seu ambiente assim… sabendo que nunca conseguiria restabelecer a unidade da sua existência

TITUBEIO METAFÍSICO

(Ou o que importa é a fissura ou o momento perigoso e terrível das placas tectônicas se movendo entre si ou ainda é a pausa entre inspirar e expirar que pode significar algo)

Na fissura, o eu e a consciência lutam para sobreviver

O filósofo espanhol José Ortega y Gasset (1883-1955) usou o termo “a vida da história” para descrever esta fornalha de incessante luta espiritual e ofereceu a seguinte vívida descrição: Não creio na absoluta determinação da história. Ao contrário, penso que toda vida e, portanto, a história, compõem-se de simples instantes, cada um dos quais está relativamente indeterminado em relação ao anterior, de modo que nele a realidade vacila, piétine sur place. Esse “titubeio metafísico” não deve ser confundido com falta de decisão. Indica a fonte de energia para rejeitar todas as concepções fixas e esforçar-se para encontrar o bem dentro de um estado de tensão, marcado por uma “vibração e estremecimento”. Faz lembrar a súplica de Brahma a Sakyamuni para ensinar o Darma. Depois de atingir a iluminação, Sakyamuni relutou em ensinar o Darma sabendo quão profunda, misteriosa e insondável era a natureza da iluminação. Brahma, o Senhor do Universo na cosmologia indiana, apareceu diante dele, implorando para ensinar o Darma pelo bem de todos os que sofrem. Há uma ressonância entre a hesitação de Sakyamuni e o que Ortega y Gasset descreve como titubeio metafísico. A capacidade de hesitação pode ser comparada à força necessária para retesar ao máximo a corda de um arco: na certeza de que a flecha disparada vencerá todas as dificuldades para atingir o alvo do bem.

By Daisaku Ikeda


26 de Fevereiro de 2011 as 11:39 PM Comentarios (4)