SOMENTE A VERDADE
I
Lembrar não existe! É uma ação completamente ilusória achar que se pensa lembrar de algo. Para que lembrar fosse possível seria necessário existir um repositório de fatos ou de lembranças sobre fatos que implicaria necessariamente na existência do passado… mas assim como o futuro que ainda não existe – esse ente que se avoluma pelo presente que morre , o passado, o passado não existe… A idéia de lembrar só serve mesmo para ser usada quando se quer, ou se precisa, se opor à outra idéia mais perniciosa, no esforço de se querer entender, compreender ou suportar a vida em si mesma. Essa idéia perniciosa é a idéia de aprender… pois não há nada a ser aprendido…nada a ser adquirido… Aí então, para se resistir à idéia de aprender pelo exterior pode-se – deve-se – opor a idéia de lembrar, lembrar-se a partir de dentro, ter ciência, consciência de que se deve suportar a idéia de que se está vivo, sobreviver, pois um dia o presente se manifestará através da sua morte.
Morte para muitos é esquecer, esquecimento, esquecido… Mas para Kaslu, morte sempre foi morte, e como lembrar para ele não existia, esquecer era também um ato inexistente… Entrei, em seu quarto assim, sabendo que durante a duração improvável de qualquer vida, em seus largos e curtos setenta médios anos, muitas consciências habitavam um mesmo corpo, e que a última procuraria dar uma unidade ao conjunto de consciências pertencentes àquele corpo que nunca existiu também. Procurei respeitá-lo, em sua morte, anunciada e acontecida, tentando imaginar por decisão, que não era Kaslu, mas sim uma nova consciência brotada daquele que fora meu antecessor. Pois assim ele queria e intimamente sempre me senti seu amigo. Entrando em seu quarto, que ele hodiernamente chamava de blog de guerra, sabendo que nunca conseguiria restabelecer a unidade da sua existência, procurei entender porque ele acumulará cada livro, cada filme, cada imagem num ambiente pouco, de uma consciência que havia sido tão poderosa. Tentei absorver os restos, as ruínas maravilhosas daquela consciência perdida… que alguém diria algum dia que fui eu mesmo, simplesmente por causa da falsa unidade que um corpo oferece… mas Kaslu saberia simplesmente chamá-lo de imbecil, ou pato, ou mula, ou ovelha… pois eu não mais existia… o eu era um avião sinistrado perdido nas matas, no deserto, nos abismos de alguma geografia maravilhosa de nossos icebergs, coletivamente grudados ainda por geleiras-mães misteriosas…mas em derretimento. Quando seu corpo chega a determinada idade biológica – Kaslu me fez entender -, o seu eu pessoal se transforma em um avião sinistrado a espera de resgate mas que não te levará mais a nenhum lugar. Ficar à deriva pode acontecer a qualquer momento, mas cinquenta é uma idade fatal! Passei a mão sobre as estantes, sobre os livros, sobre os Cds, sobre os DVDs, sobre coleções de pendrives, e a poeira era a mesma, uniforme, grossa, alérgica, capeando todo o conjunto. Na mesa única o laptop, muitas folhas rabiscadas com dibujos e esquemas, com apenas um livro xerocado em pasta de elástico, sim, empoeirado, sem nenhum sentido aparente.
II
Testei a bateria na tomada, e o lap reagiu… lá estava em arquivo recuperado o último texto não publicado… parecia uma continuação do último post do arquivo virtual VK que organizei durante um ano, a partir da data fatal, usando como referência os cinco anos de arquivos virtuais do Blog de Guerra Somente a Verdade. Kaslu morreu em 17 de junho de 2008. Dei me conta de que existia, em 18 de junho de 2008. Essa nova consciência, que recuso chamar de eu, é K! Ela que escreve… Ela que eu se manifesta… Ela que organiza o mundo de kaslu, assim como a matéria prima do universo é interpretada, organizada e modificada pelo espírito perdido do homem.
Dessa forma, veja se me compreende, sempre teremos duas datas… aquela da intervenção de K, mais recente, recuperada. E aquela, ou aquelas, resultante dos cinco anos de Somente a Verdade, originais, do ponto de vista do morto. Pois então veja se me compreende:
(Recuperado em: Terça-feira, Junho 09, 2009… escrito originalmente em: Quarta-feira, Junho 2 2004)
VOCÊ SABE…É UM CONSTRAGIMENTO ESTAR VIVO!!! MAS… FALTA POUCO PARA O FIM!!! DO QUE VOCÊ TEM DÚVIDA, MEU GENERAL?
Quantos rostos eu preciso olhar para que o meu desapareça?Quantos filmes preciso ver para que minha aventura se desfaça?Quantos livros preciso ler para que o limite do conhecimento seja atingido?Quantas perguntas precisarei formular para que exista a resposta única em meu coração?Digo porque sei, que,Com sorte,Encontrarei esse abismoDo fim de tudoE de mim mesmo…
Mas a minha superioridade,introjetada em cada núcleo de célula,em várias sequências de meu DNA,Diz que não.Ela diz que tenho tempoEla diz que eu valhoEla diz que faço diferençaEla diz que não existe uma única respostaMinha superioridade quer sobreviverE então luto contra ela.Num campo de batalha infinito, que é dela…Com inúmeras armas, que são dela…Com inúmeros espelhos, que são polidos por El a…Mas… com a esperança dela… me mantenho lutandoMas, com a destreza dela, permaneço lutandoMas, com inteligência dela, luto e ganho tempo…Um tempo suficiente,Para que em algum momento possa atingi-laMortalmente!”A melhor maneira de voltar da única guerraque vale a pena ser travadaÉ com minha cabeça debaixo do braço”
III
¨Percebi que minha morte estava próxima, pois como poderia suportar por mais tempo o constrangimento de estar vivo”. Assim se iniciava o texto de Kaslu, em arquivo recuperado de seu lap, uma narração extremamente realista, descrevendo uma cena tão corriqueira, que poderia parecer que realmente havia acontecido. E como é esclarecedor: a morte vem quando o sentimento de constrangimento de se estar vivo se torna insuportável, mesmo que por um segundo, mesmo que por um desastre, mesmo que por uma fatalidade, imaginativa ou real.
Lá estava, e Kaslu sabia. A conformação de sua morte minha!
“Percebi que minha morte estava próxima, pois como poderia suportar por mais tempo o constrangimento de estar vivo. O olhar do menino, a sua bondade pura e livre, contrastava com seu sentimento de estorvo. Ora, como e porque um menino de seus dez anos pode sentir o sentimento apavorante de estar estorvando a humanidade? Que humanidade poderia ser essa senão algo completamente desprezível e desnecessário para a vida simples, pura e alegre de um possível menino de dez anos… corcunda!?? Cientificamente: escoliose que envolve modificação estrutural das vértebras e costelas, com rotação vertebral no plano transverso, desvio lateral no plano frontal e lordose no plano sagital; esteticamente gera transtornos, principalmente em crianças e adolescentes por seu caráter evolutivo… Chorei ali… em pleno aeroporto internacional de Guarulhos, são paulo, Brasil, terra… a que ponto havíamos chegado, pois o que isso tinha a ver com a possibilidade consciente daquele menino?
“A minha espera era ridícula como qualquer ação que pode envolver uma situação aérea. Todas as companhias têm a capacidade de nos transformar em imbecis descartáveis, quando você precisa remarcar a sua passagem ou você está na lista dos mortos de um grande desastre aéreo. Esperava a abertura de um balcão às seis horas da manhã, para que seu atendente pudesse avaliar a minha situação de querer chegar mais cedo em casa e não ter que esperar sete horas pela próxima conexão. Esse pedido tinha que ser feito em uma oficina, como diriam os equatorianos, fora do ambiente interno do aeroporto. Você solicita a mudança de vôo como se fosse um necessitado de lanche grátis de alguma ONG ou igreja salvadora. O balcão de remarcação ficava de cara para o desembarque de táxis e foi de um deles que ele desceu… Eu era o primeiro da fila longa que se formara atrás de mim, mas mesmo assim eu podia vê-lo muito bem. A sua timidez me constrangeu! A sua vergonha diante dos normais me constrangeu!!! A sua tristeza natural me constrangeu!!! Eu me constragi!!! Pois o que o transtorno estético tinha a ver com a possibilidade consciente daquele menino?
“Ele saiu do táxi logo depois que sua mãe também saiu. O motorista foi até o bagageiro e começou a tirar as malas, lentamente, muito lentamente parecia que ele estava fazendo de propósito, parava, olhava um papel e tirava uma mala, depois olhava o papel e tirava mais uma, e olhava, e parava, ali diante do menino e sua corcunda, vestido com sua melhor roupa de domingo. Ele ficou bem ao lado da mãe, de costas para nós, para o aeroporto, para o mundo… Ele não precisava olhar pois sabia que sempre estaria sendo observado… um mundo seco esse nosso a procura de corcundas nas costas de cada um, constrangedor…. que constrangimento de estar vivo…. que constrangimento esse meu…. queria ter ido até ele, e se não fosse ofensivo, queria ter podido abraçá-lo, pois ele era muito superior a mim, ela sabia onde se encontrava a sua corcunda e todos sabiam… e o seu sofrimento constrangedor de estar vivo estava dado para sempre desde os seus dez anos de idade! Por favor, me console, pois apesar de ter vivido tudo que vivi, de ter sabido tudo que sei, de ter sentido tudo que senti… não sei porque a vida me constrange. Meu amigo eu não tenho a menor idéia de que porque estou vivo… nada me é suficiente… nada me liberta… só vejo prisões e ilusões… e você, meu amigo, ou seria eu mesmo, não tem porque se sentir constrangido… pois todos nós estamos e não sabemos porquê… Sim… foi uma vontade pungente de abraçá-lo e como não a realizei, chorei… sim…. não havia mais porque permanecer por aqui, ou em qualquer lugar… e como um morto-vivo remarquei a minha passagem mais cedo, para chegar em uma casa que nunca será minha… pois não há como sê-la. Este universo não me pertence mais.”
Perturbado abri o livro xerocado em sua pasta de elástico. Estava errado: ele estava cheio de sentido. Ele era sentido puro, queimava ao ser tocado. A mensagem de Kaslu era evidente: nesse caos que é a vida, seja simples, proceda como no manual. Mas não se esqueça: todo manual é de sobrevivência, até certo ponto, depois ele apenas narra o lugar comum de sua morte, mesmo pessoal, mesmo que seja a sua única morte minha. Um manual vai até ali, onde muitos foram, e todos concordaram, depois é preciso abandoná-lo pois ele irá necessariamente reduzir as suas possibilidades de sobrevivência… Mas como abandonar o manual é uma atitude completamente inumana, os seres humanos morrem: e essa é somente a verdade! Veja se me compreende, escrevo para mim mesmo, como se fizesse uma longa e discursiva tatuagem em meu próprio corpo.
Pois bem, não sei se reproduzirei o resto, mas aí está a primeira parte esclarecedora do manual de sobrevivência na terra e no mar xerocado sobre a mesa de kaslu, ao lado de seu lap.
IV
Manual de Sobrevivência na Terra e no Mar
Ministério da Aeronáutica – Diretoria de Rotas Aéreas
Reeditado com modificação mediante aprovação do Exmo. Sr. Diretor Geral das Rotas Aéreas, conforme fez público o Boletim 72 de 20 de abril de 1965. Brasil.
Seção 1 – EM TERRA
Capítulo I – Ação imediata
1.1. Instruções – Nós sabemos que você é bastante “experimentado”, porém, talvez ainda não tenha se encontrado em uma situação de acidentado em terra. Esta lista de cheque ser-lhe-á muito útil. (saber que está acidentado)
Encontrando-se nessa situação, cumpra fielmente as seguintes instruções:
Mantenha-se afastado da aeronave até que o(s) motor(es) tenha(m) esfriado e se tenha evaporado toda a gasolina derramada; (imediatamente afasta-se do eu sinistrado)
Verifique, entre os acidentados, o número e a natureza dos ferimentos;
Assista-os com os primeiros socorros. Procure deitar ou recostar os feridos em posição que lhe dê alívio e conforto;
A remoção dos feridos da aeronave sinistrada deve ser feita com todo o cuidado, especialmente dos que sofreram ferimentos nas costas ou fraturas;
Providencie com a maior rapidez possível proteção para todos contra o vento e a chuva, principalmente, para os feridos;
Arme, o mais rapidamente possível, um abrigo temporário;
Verifique o estado do rádio do avião e das baterias;
Se houver necessidade de uma fogueira, não perca tempo – faça-a logo. Observe, porém, as cautelas necessárias a fim de evitar um incêndio na mata ou nos destroços da aeronave;
Em tempo frio, prepare bebidas quentes;
Ponha a funcionar o rádio de emergência nas freqüências previstas e trate de ter à mão qualquer outro equipamento de sinalização, que tenha sido trazido na aeronave;
Após essas providências, procure descansar física e mentalmente, até que se tenha recuperado do choque do desastre. Deixe para depois os planos e os preparativos mais extensos;
V
Após o descanso, trate de organizar o acampamento. A cada indivíduo válido, dê um encargo ou encargos a cumprir. Ponha toda a provisão de boca e o equipamento a cargo de um só indivíduo;
Prepare um abrigo para proteger-se da chuva, vento, sol, frio e insetos;
Procure juntar todo o material combustível que puder. Tenha, em reserva, combustível que dê pelo menos para um dia;
Procure uma fonte d´água;
Descubra se nas vizinhanças do local do acidente existem animais ou plantas comestíveis;
Dê início a um diário. Registre a data e as condições do tempo reinante e outras causas prováveis do acidente, o local estimado; nomes dos tripulantes e passageiros; as provisões de boca existentes; a quantidade d´água disponível e o equipamento; dados pertinentes;
Procure determinar a sua posição geográfica do melhor modo possível e inclua essa posição nas mensagens de rádio que enviar. Caso a determinação da posição se tenha baseado em observações astronômicas, inclua essas observações nas mensagens. NOTA: Se o abandono da aeronave sinistrada foi executado, através de um salto de pára-quedas, observe o local em que a aeronave caiu, a fim de ir a esse local, uma vez atingido o solo. Não se esqueça!!! Os observadores de bordo de uma aeronave de busca descobrem uma aeronave caída com muito mais facilidade do que um homem vagando pelo mato. Mantenha-se junto à aeronave, a não ser que tenha recebido instruções em contrário. Não abandone o local do acidente, a menos que tenha certeza de que se encontra a pouca distância (a pé) de socorro. Caso decida “viajar”, isto é, abandonar a aeronave e procurar a sua própria rota de salvação, deixe junto à aeronave uma nota indicando o caminho que pretende seguir. E procure não se afastar do plano de viagem indicado na rota, a fim de que os seus salvadores possam localizá-lo.
VI
Recomendação especial: Não se esqueça de que você pode ser o homem chave da operação de salvamento. Auxilie as equipes de salvamento na faina de localizá-lo e acate as suas instruções quando for, por elas, avistado. Não se deixe levar por excessos de alegria ou, de um modo geral, por descontrole nervoso, quando perceber que foi avistado ou quando a equipe de salvamento chegar. Trate, sim, de cooperar com ela, isto no interesse tanto seu quanto no da equipe. Não se exponha a riscos que possam resultar em ferimentos ou de qualquer modo dificultar o salvamento. Será mais fácil salvá-lo inteiro do que em pedaços!! Se o seu salvamento for por helicóptero, observe como será o procedimento de içá-lo. Caso em terreno acidentado, onde não seja possível o pouso (ou aproximação) do helicóptero, siga para um local menos acidentado, onde o mesmo possa fazer o vôo parado e apanhá-lo com o guincho. Coloque a alça do cabo da mesma maneira que você coloca um casaco. Cuidado para não ficar dependurado de costas para o helicóptero. Se você estiver ferido e incapacitado de colocar a alça, um tripulante da aeronave SAR será descido para ajudá-lo. Se estiver num bote, use a biruta d´água (âncora) e os remos, com o objetivo de evitar a deriva causada pelo vento das asas rotativas. Mantenha-se no bote. Sempre que possuir sinalizador de fumaça, use-o, a fim de indicar ao piloto a direção e intensidade do vento.
1.2. Procedimentos que apressarão o seu salvamento
a. Economize a energia do equipamento eletrônico. Use-o de acordo com as normas constantes das instruções que o acompanham;
b. A pequenos intervalos corra o horizonte com o reflexo do espelho de sinais;
c. Leia, atentamente, a parte deste manual que trata de sinalização (capítulo IV) e siga as diretivas que aí constam em relação à comunicação com a equipe de salvamento.
VII
1.3. Pontos a decidir – permanecer junto à aeronave ou abandoná-la
1.3.1 O aconselhável – É mais aconselhável permanecer junto à aeronave e esperar salvamento. A maior parte dos salvamentos bem sucedidos tiveram lugar enquanto as tripulações permaneceram junto às respectivas aeronaves. Abandone a aeronave somente quando: tiver instruções para tal; tiver certeza de que conhece a sua posição geográfica e que poderá alcançar ponto de abrigo, alimentação e socorro, em geral com os recursos de que dispõe; após ter esperado durante vários dias, você se convencer da pouca probabilidade de socorro e quando contar com equipamento necessário à viagem; quando descer em território inimigo.
1.4.2 Antes de tomar uma decisão, reflita sobre os seguintes pontos de importância:
1.4.2.1 As vantagens em permanecer junto à aeronave – É mais fácil localizar uma aeronave do que um grupo de homens caminhando por entre a mata. Além disso, é possível que alguém tenha percebido a descida da sua aeronave e esteja caminhando ao seu encontro, para investigar. A aeronave, ou partes da mesma, mesmo avariada, proporcionará abrigo, meios de sinalizar e vários materiais úteis (as carenagens) servirão como refletores para sinais, as tubulações como estrutura de apoio de abrigos improvisados; a gasolina e o óleo servirão para ativar fogueiras e para sinais diurnos e noturnos; o gerador de energia elétrica, para o funcionamento do aparelho de rádio. Devem-se evitar os azares e perigos de uma jornada em zona pouco conhecida ou mesmo desconhecida.
1.4.2.2 Possibilidades de salvamento – as possibilidades são boas: se tiver conseguido estabelecer contato pelo rádio; se, ao ocorrer o acidente, a sua aeronave voava ao longo de uma aerovia regular, ou se, por feliz casualidade, cruzava com uma aerovia ou voava próximo à mesma; se as condições atmosféricas e de visibilidade favoreceram a observação da equipe de busca e salvamento.
1.4.2.3 Conhecimento do local onde se encontra – Você deverá conhecer (geograficamente) bem o local onde caiu, a fim de que possa decidir com inteligência se esperará o salvamento, ou se arriscará uma viagem por terra, por rota previamente determinada, onde espera conseguir auxilio. Procure achar o ponto geográfico onde se encontra, consultando os mapas, procurando descobrir acidentes característicos da região e por meio dos dados de vôo, ou então, por meio de observações astronômicas.
1.4.2.4 A escolha do ponto de destino – Procure determinar o ponto de socorro mais próximo, a distância até esse ponto, as possíveis dificuldades e perigos que poderá encontrar no caminho e as facilidades e meios de subsistência que poderá eventualmente encontrar no ponto de destino.
1.4.2.5 As condições em que se acha o pessoal (os sobreviventes) – Veja em que condições físicas se acham você e os seus companheiros e procure calcular a capacidade do grupo para enfrentar a viagem que pretendem fazer. Se houver feridos, procure obter auxílio. Envie dois homens em busca de socorro. Estes deverão ser os mais aptos, física e mentalmente. Devem ser dois porque é perigoso viajar sozinho.
1.4.2.6 Antes de decidir, examine detidamente a situação – Se você decidir a permanecer junto à aeronave, analise bem os seguintes problemas:
1. Qual o seu estado de saúde, quais os cuidados de higiene que poderá manter e qual a situação sanitária do acampamento?
2. Quais os seus recursos de proteção?
3. Qual o seu suprimento?
4. Como obterá alimento?
Caso você tenha decidido levantar acampamento e partir, analise os seguintes problemas:
Em que direção deverá seguir? (ver capitulo XII – item 13 – (jornada sobre a terra)
Qual o plano de deslocamento?O que deverá levar consigo em viagem?

…. e como anular karmas é realizar um movimento real…C´ést ça!!!
TUDO QUE TEM UM INÍCIO TEM UM FIM
(e no tempo blocado, essa lei tem a forma de um círculo e no Oriente se chama Samsara)

“Matrix existe e funciona” é antes de tudo um código de honra. Quando em junho de 2003 procurávamos conversas autênticas sobre o filme… nada encontrávamos além de misticismos e religiosidades evidentes ou disfarçadas. Nenhuma discussão ia a fundo na afirmação: “Você é um escravo. Você sabe intimamente disso.” Nem muito menos acreditava em “há algo de errado com o mundo”. Todas as conversas eram superficiais. Ninguém era fiel ao princípio: “Matrix existe e funciona”. Somente a Verdade surgiu desse código de honra. Tudo sempre foi discutido a partir deste princípio, dessa radicalidade… Tudo foi conseqüência disso, até seu círculo mais interior. As duas recuperações mais antigas e primevas de Kaslu, em 18 de junho, valor em tempo blocado, são indicativos disso. O próprio humor de Kaslu estava aí determinado e a sua fúria guardiã! Tudo que tem um início tem um fim, começou em 18 de junho de 2003 e terminou hoje em 18 de junho de 2008: tudo que existe no universo moldado pela matéria do tempo está aí contido, nada escapou, nem mesmo a luz!

Sim, e essa é Somente a Verdade, na versão de Kaslu!

Quarta-feira, Junho 18 2003

smith (english) = ferreiro (português)
Quando o agente Smith saltou de um Audi no início do segundo filme, a placa do carro era IS 5416. Na bíblia, Isaías 54:16 diz:
“Eis que eu criei o ferreiro, que assopra as brasas no fogo, e que produz a ferramenta para a sua obra; também criei o assolador, para destruir.”

Postado por Kaslu às 10:14 PM

Sábado, Junho 18 2005

PINÓQUIOS DE TODO O MUNDO, UNI-VOS
PROTEGEI-VOS ENTRE SI
E AMAI-VOS UNS AOS OUTROS
(ou tudo isso porque somos toltecas e não comemoramos mês de aniversário)

Aqui há somente um fio de Ariadne. Aqui há somente uma medida. Só é possível avançar, se se utilizar este sistema métrico quadrimensional. Para avançar utilize: centímetros cúbicos cerebrais. Atenção: Não tente buscar comparações com outros sistemas, ou alinhá-lo. Quem tentou: nunca mais foi visto. Portanto, siga somente a verdade, dentro do sonho dentro do sonho. Isto não é uma advertência, nem uma ameaça, é apenas um consideração técnico-profissional para navegadores audaciosos que têm coragem de sair dos canais tradicionais, para as passagens alternativas, também conhecidas como mecânicas, por serem estreitas demais. Aqui, para se sobreviver o suficiente, o sistema métrico correto e a habilidade amável são fundamentais.

Essa é a meta:
NÃO SOBREVIVER MAIS DO QUE O SUFICIENTE PARA SE ATINGIR O SUFICIENTE INSTANTE.
E então o iniciado foi aceito no templo de Buda. E foi por causa de Buda que o iniciado foi capaz de adentrar ao templo. E então lhe foi oferecido o primeiro material, o primeiro koan, para o iniciado começar o seu mergulho no instante suficiente presente. Pois, pense, compreenda, supere-se, diante deste koan:
BUDA NÃO EXISTE!

Postado por Kaslu às 11:36 AM

VOCÊ SABE..
É UM CONSTRAGIMENTO ESTAR VIVO!!!
MAS… FALTA POUCO PARA O FIM!!!
POST ÁUREO

Quarta-feira, Junho 2 2004

DO QUE VOCÊ TEM DÚVIDA, MEU GENERAL?

Quantos rostos eu preciso olhar para que o meu desapareça?
Quantos filmes preciso ver para que minha aventura se desfaça?
Quantos livros preciso ler para que o limite do conhecimento seja atingido?
Quantas perguntas precisarei formular para que exista a resposta única em meu coração?

Digo porque sei, que
Com sorte,
Encontrarei esse abismo
Do fim de tudo
E de mim mesmo…
Mas a minha superioridade,
introjetada em cada núcleo de célula,
em várias sequências de meu DNA,
Diz que não.

Ela diz que tenho tempo
Ela diz que eu valho
Ela diz que faço diferença
Ela diz que não existe uma única resposta

Minha superioridade quer sobreviver
E então luto contra ela.
Num campo de batalha infinito, que é dela
Com inúmeras armas, que são dela
Com inúmeros espelhos, que são polidos por ela
Mas, com a esperança dela, me mantenho lutando
Mas, com a destreza dela, permaneço lutando
Mas, com inteligência dela, luto e ganho tempo
Um tempo suficiente,
Para que em algum momento posso atingi-la
Mortalmente!

“A melhor maneira de voltar da única guerra
que vale a pena ser travada
É com minha cabeça debaixo do braço”

Postado por Kaslu às 8:44 AM

FRANCAMENTE, MESTRE ATIRADOR,
ATÉ QUANDO TEREMOS QUE LHE PROVAR
QUE A MENTE ASSASSINA O REAL?
QUALQUER MENTE, ANARQUISTA OU NÃO!!!
(Ou como ignorar o dinamismo entre luz e treva
e mesmo assim criar um mundo inteiro
Ou, até quando energia será igual a massa
vezes a velocidade da luz ao quadrado?
Ou, por fim, quando não se deve desmerecer a analogia
pois ela é a própria realidade da qual se finge não falar.)

Quinta-feira, Junho 9 2005

O que se segue nunca foi dito por
um mestre zen-budista-taoísta-islâmico-católico-gnóstico-etcetecera-e-tal
e mesmo assim é um koan oriento-ocidental:

O que se mede é sempre a velocidade com que a luz aparece, ao preencher
um espaço, ou com que, depois, desaparece. Nada dizem estas observações
sobre aquilo que acontece dentro de um espaço luminoso, uma vez que ele
se formou (…) A seguinte analogia nos pode ajudar a melhor
compreendermos porque não é lícito tirar conclusões da velocidade com
que se expande a frente de irradiação de luz, sobre as condições
dinâmicas dentro do espaço iluminado. Imaginemos o proceso da
construção de um túnel, com todo o esforço e o tempo necessários para
abrir o caminho através da matéria resistente da rocha. Concluída a obra
terminam também as atividades necessárias para realizá-la. Estas são de
duração limitada no tempo, mas deixam, em forma de túnel, uma marca que
pode ser estendida, quanto ao aspecto dinâmico, como uma modificação na
configuração do campo gravitacional da terra. Ninguém dirá que a
velocidade com que a construção do túnel se deu seria uma qualidade
permanente do mesmo.

Mas é justamente isto que ocorre quando, após
observar a velocidade frontal com que a luz avança no espaço, se
atribui esta velocidade à luz como qualidade que lhe pertence como tal.
Só um pensamento incapaz de imaginar o dinamismo real entre luz e treva
pode tirar conclusões sobre a própria luz, se baseando em experiências
que apenas se referem ao primeiro momento em que a luz aparece no
espaço.

By Ernst Lehrs, in Man or Matter, 1966, pp 322 e 327, Faber & Faber, Londres


Postado por Kaslu às 1:11 PM

Segunda-feira, Junho 5 2006

PASSO DECISIVO, O NOVO ENTE HUMANO


Cultivar a coragem quando não se é corajoso não é libertar-se da covardia; mas, compreender a natureza e estrutura da covardia, em vez de tentar reprimí-la ou transcendê-la, é ficar livre da covardia. (…) Isto é, a percepção direta, e não o cultivo do oposto, é liberdade. O cultivo do oposto exige tempo. (O Novo Ente Humano, p. 146)

E que é tempo? Afora o tempo cronológico (…), existe o tempo, interiormente, psicologicamente? Ou o pensamento inventou o tempo como meio de alcançar, de ganhar, a fim de preencher o intervalo entre o que é e o que deveria ser? (…) O real, o fato, é o que é. Quando estamos frente à frente com o que é, não há medo. (…) O pensamento, o pensar acerca do que é, eis o que gera o medo. E o pensamento é processo mecânico, (…) reação da memória, (…) Pode uma pessoa morrer para todas as lembranças, experiências, valores, juízos, que acumulou? (O Passo Decisivo, p. 253)

By Krishnamurti

Postado por Kaslu às 9:18 AM

THE FOUNTAIN ASTROLÁBIO – INTERLÚDIO MUSICAL
(PARA A ORIENTAÇÃO DOS PERDIDOS,
CHEIO DE ANOTAÇÕES E LEMBRANÇAS ESQUECIDAS…
OU, ainda, SOMEWHERE OVER THE RAINBOW do WIZARD OF OZ)

POST ÁUREO


Quarta-feira, Maio 30 2007

Dorothy
Somewhere, over the rainbow, way up high.
There’s a land that I heard of Once in a lullaby.
Somewhere, over the rainbow, skies are blue.
And the dreams that you dare to dream
Really do come true.
Someday I’ll wish upon a star and wake up where the clouds are far Behind me.
Where troubles melt like lemon drops, Away above the chimney tops.
That’s where you’ll find me.
Somewhere, over the rainbow, bluebirds fly. Birds fly over the rainbow,
Why then – oh, why can’t I?
If happy little bluebirds fly beyond the rainbow,
Why, oh, why can’t I?

(Dorothy!/Em algum lugar, muito acima do arco-íris/Há uma terra que eu ouvi uma vez em um conto de fadas/Em algum lugar, sobre o arco-íris, os céus são azuis/E os sonhos que você ousa sonhar/Realmente se tornam verdadeiros./Algum dia, eu desejarei de cima de uma estrela onde as nuvens ficam muito distantes, atrás de mim./Onde os problemas derretem como gotas da limão, bem afastado do topo das chaminés./Esse é o lugar onde você me encontrará./Em algum lugar, além do arco-íris, os pássaros azuis voam. Os pássaros voam acima do o arco-íris/ Por que então – oh, eu não o posso? Se felizes e pequenos passáros azuis voam além do arco-íris?/Por que, oh, por que eu não posso?)

The Fountain é um filme rico, complexo, cheios de surpresas.. Uma de suas mais agradáveis surpresas é o roteiro do filme seguir cuidadosamente o mito maia da criação do mundo… começa com o mito cristão doGênesis (e poderia ser de outro modo, para nós biologicamente ocidentais e católicos, podermos compreender a aventura da imaginação pré-colombiana?) mas o abandona e segue magistralmente o mito maia e o atualiza, o reescreve, através do drama do homem e a vivência da perda de sua alma.

Bem… tenho agora de falar da história propriamente…. e de como essa estrutura se repete em muitas outras histórias…. Mágico de Oz, A era do Gelo I, Harry Potter e o Cálice Sagrado ….e de como a originalidade dessa história está no mito maia…

Daí…. tenho muitas considerações mais gerais sobre o filme…. sobre a relação entre a igreja católica (inquisidor) do filme…. dos rituais maias…. e até da referência ao budismo…. e à ciência, a religião moderna…. E lembrar que shibalba, berços das estrelas, é uma nebulosa que está morrendo e daí a sua cor áurea

Depois, falar sobre de como a idéia de ser eterno foi banida de nossa imaginação como algo que deve ser conquistado… até se tornar um assunto do impossível, graças ao catolicismo-capitalista.

E por fim devo falar especificamente sobre o capítulo não escrito que existe no filme… do décimo segundo capítulo do manuscrito de izzi e lembrar de outro filme Esperando Forrest, e como, em algum momento da vida de cada um, escrever o último capítulo lhe pertence irremediavelmente: TERMINE!!!

Te deixo um abraço, um beijo e um mapa
O argumento do livro e o desenho da capa
Uma intenção ilícita
Uma página não escrita
Um presente pro futuro
Numa caixa bem bonita
Sangue do meu sangue
Calor da nossa pele
Um segredo bem guardado
Até que o filme se revele
Um coração mutante
Um vulcão protagonista
Que esquenta o oceano
Em busca de conquista
É sempre a saudade
O que mais pesa na bagagem
E ela só se acomoda no destino da viagem

(Astrolábio by Pierre Aderne)

Tatuar a espada do querer
pois a morte está mais próxima
do que mãos e pés!
Ah, a dor….

By Kaslu

Postado por Kaslu às 3:49 PM

Domingo, Maio 28 2006

CORAGEM, AMIGOS, CORAGEM!!!!

Quando o li tive um impacto,
lembrei que provavelmente o tinha lido quando tinha 16 ou 17 anos,
e então tive o impacto,
o impacto de imaginar como eu poderia por tanto tempo ter esquecido que o li…
Me assustei!!!
Pois ali estava, Hammadi, ali estava, como sempre fora, como se o tempo não existisse, como se nada até então houvesse acontecido e existido, ali brilhando como a minha pérola.
Por razões, que irão lhe parecer óbvias,
dedico a simples publicação deste texto
a você, Hammadi: um não-fantasma!!!!
Dedico por amizade, dedico porque na nossa solidão – diria Weiss – nos emparelhamos momentaneamente e nos reconhecemos….
A ti, Hammadi, o texto que se segue..
e aos amigos que lêem Somente a Verdade,
ofereço o cumprimento de uma promessa: a vocês, somente a verdade!!!!
E então, me emocionei cuidadosamente,
afinal quem assinava o texto que você poderia ter escrito, Hammadi?
Afinal, quem poderia ter assinado o texto que eu poderia ter escrito?
E também, Weiss, Sahid, e todos os outros que querem despertar!!!
E então, sorri,
e depois gargalhei,
afinal de contas não deixava de ser uma piada….
uma piada divina!!!

A chave que nos tornará mestres da natureza interior ficou
enferrujada desde o dilúvio.
Ela chama-se: velar.
Velar é tudo.
O homem está firmemente convencido de que vela; mas na
realidade, é apanhado numa rede de sono e de sonho que ele
próprio teceu. Quanto mais apertada é essa rede, mais poderosamente
reina o sono, Aqueles que estão presos nas suas malhas
são os adormecidos que caminham através da vida como rebanhos
de animais levados para o matadouro, indiferentes e sem
pensamentos.
Os sonhadores vêem através das malhas um mundo quadriculado,
só distinguem aberturas enganadoras, agem em consequência
e não sabem que esses quadros são apenas os fragmentos
insensatos de um todo enorme. Esses sonhadores não são, como
talvez o suponhas, os lunáticos e os poetas; são os trabalhadores,
os sem repouso do Mundo, os possessos da loucura de agir.
Assemelham-se a escaravelhos feios e laboriosos que se arrastam
ao longo de um cano liso para nele mergulharem ao chegar lá
acima. Dizem que velam, mas aquilo que julgam uma vida não
é em realidade senão um sonho, determinado antecipadamente
nos mínimos pormenores e subtraído à influência da sua vontade.
Existiram e ainda existem alguns homens que souberam que
sonhavam, os pioneiros que avançaram até aos baluartes atrás
dos quais se esconde o eu eternamente desperto – videntes
como Descartes, Schopenhauer e Kant. Mas eles não possuíam
as armas necessárias para a tomada da fortaleza e o seu apelo
ao combate não acordou os adormecidos.
Velar é tudo.
O primeiro passo para esse objectivo é tão simples que
qualquer criança o pode dar. Só aquele que tem o espírito falsificado
esqueceu como se caminha, e mantém-se paralisado sobre
os seus dois pés, pois não se quer privar das muletas que herdou
dos seus antecessores.
Velar é tudo.
Vela em tudo o que fazes! Não te julgues já desperto. Não,
tu dormes e sonhas.
Reúne todas as tuas forças e espalha um instante pelo teu
corpo este sentimento: agora, eu vejo!
Se o conseguires, reconhecerás imediatamente que o estado
no qual te encontravas surge então como uma modorra e um
sono.
É o primeiro passo hesitante do longo, muito longo percurso
que leva da servidão ao completo poder.
Desta forma avança, de despertar em despertar.
Não existe pensamento tormentoso que desta maneira não
possas banir. Ele fica para trás e já não te pode atingir. Estendeste
sobre ele como a copa de uma árvore se eleva por sobre
os ramos secos.
As dores afastam-se de ti como folhas mortas quando essa
vigília se apossa igualmente do teu corpo.
Os banhos gelados dos brâmanes, as noites de vigília dos
discípulos de Buda e dos ascetas cristãos, os suplícios dos faquires
não são mais que os ritos estereotipados indicando que
ali se erguia outrora o templo daqueles que se esforçavam por
velar.
Lê as escrituras Sagradas de todos os povos da Terra. Em
cada uma delas passa como um fio vermelho a ciência dissimulada
da vigília. É a escada de Jacob, que combate toda a “noite”
com o anjo do Senhor, até que chegue o “dia” e obtenha a
vitória.
Deves subir, um após outro, os degraus do despertar, se
queres vencer a morte.
O degrau inferior já se chama: gênio.
Como devemos nós chamar os degraus superiores? Ficam
desconhecidos da multidão e são tidos como lendas.
A história de Tróia foi considerada uma lenda, até que
finalmente um homem arranjou coragem de investigar por si
próprio.

Sobre esse caminho da vigília, o primeiro inimigo que encontrarás
será o teu próprio corpo. Ele lutará contigo até ao primeiro
cantar do galo. Mas se vislumbrares a luz da vigília eterna que te
afasta dos sonâmbulos que supõem ser homens e ignoram que
são deuses adormecidos então o sono do teu corpo desaparecerá
também e o Universo submeter-se-á a ti.
Então poderás operar milagres, se quiseres, e já não estarás
reduzido, como um humilde escravo, a esperar que um cruel e
falso deus seja suficientemente amável para te cumular de presentes
ou te cortar a cabeça.
Há evidentemente a felicidade do bom cão fiel: servir um
amo. Ela deixará de existir para ti – mas sê franco para contigo
próprio: gostarias tu, mesmo agora, de trocar o lugar com
teu cão?
Não te deixes apavorar pelo medo de não atingires o
objectivo nesta vida. Aquele que descobriu este caminho regressa
sempre ao mundo com uma maturidade interior que lhe
torna possível a continuação do seu trabalho. Ele nasce como
“génio”.
O caminho que te mostro está semeado de acontecimentos
estranhos: mortos que conheceste hão-de erguer-se e falar-te!
São apenas imagens. Silhuetas luminosas aparecer-te-ão para te
abençoar. São apenas imagens, formas exaltadas pelo teu corpo
que, sob a influência da tua vontade transformada, morrerá de
uma morte mágica e se tornará espírito, tal como o gelo, atingido
pelo fogo, se dissolve em vapor.
Quando tiveres abandonado em ti o cadáver é que então
poderás dizer: agora o sono afastou-se de mim para sempre.
Então dar-se-á o milagre em que os homens não acreditam
- porque, enganados pelos seus sentidos, não percebem que
matéria e força são a mesma coisa – nem compreendem, esse
milagre que, mesmo se o enterrarem, não haverá cadáver no
caixão.
Só então poderás diferenciar o que é realidade ou aparência.
Aquele que tu encontrares só poderá ser um dos que seguiram
o caminho antes de ti.
Todos os outros são sombras.
Até ali tu não sabes se és a criatura mais feliz ou a mais
infeliz. Mas nada receies. Nem um sequer dos que seguiram pelo
caminho da vigília, mesmo se alguma vez se perdeu, jamais foi
abandonado pelos seus guias.
Quero dar-te um sinal pelo qual poderás reconhecer se uma
aparição é realidade ou miragem: se ela se aproxima de ti,
se a tua consciência se perturba, se as coisas do mundo exterior
são vagas ou desaparecem, desconfia. Acautela-te! A aparição
não passa de uma parte de ti próprio. Se não a compreendes,
é apenas um espectro sem consistência, um gatuno que conssome
uma parte da tua vida.
Os gatunos que adquirem a força da alma são “piores do que
os gatunos do Mundo. Atraem-te como fogos-fatus
nos pântanos de uma esperança enganadora, para te deixarem só nas
trevas e desaparecerem para sempre.
Não te deixes enganar por nenhum milagre que eles pareçam
fazer por ti, por nenhum nome sagrado que se derem,
por nenhuma profecia que exprimam, nem mesmo se esta se
realizar; eles são os teus inimigos mortais, expulsos do inferno
do teu próprio corpo e com os quais tu lutas pelo domínio.
Sabe que as forças maravilhosas que eles possuem são as
tuas próprias – desviadas por eles para te manterem na escravatura.
Eles não podem viver fora da tua vida, mas se os venceres
ficarão aniquilados, como ferramentas mudas e dóceis que
poderás empregar segundo as tuas necessidades.
Inúmeras são as vítimas que eles fizeram entre os homens.
Lê a história dos visionários e dos sectários e compreenderás
que o caminho que segues está semeado de crânios.
Inconscientemente a humanidade ergueu contra eles um
muro: o materialismo. Esse muro é uma defesa infalível, é uma
imagem do corpo mas é também o muro de uma prisão que
dissimula a vista.
Actualmente estão dispersos e a fénix da vida interior ressuscita
das cinzas nas quais esteve deitada durante muito tempo,
como morta, mas os abutres de outro mundo também começam
a bater as asas. É por isso que deves tomar cuidado. A balança
sobre a qual deporás a tua consciência mostrar-te-á quanto
podes ter confiança nessas aparições. Quanto mais desperta ela
estiver, mais se inclinará a teu favor.

Se um guia, um irmão de outro mundo espiritual te quer aparecer,
deve poder fazê-lo sem despojar a tua consciência. Podes
pousar a mão sobre ele como Tomé o incrédulo.
Seria fácil evitar as aparições e seus perigos. Basta conduzires-te
como um homem vulgar. Mas que ganhas com isso?
Continuas a ser um prisioneiro na jaula do teu corpo até que
o carrasco “Morte” te conduza ao cadafalso.
O desejo dos mortais de verem os seres sobrenaturais é um
grito que desperta até os fantasmas do inferno, porque semelhante
desejo não é puro; – porque é mais avidez do que
desejo, porque quer “tomar” de qualquer maneira em vez de
gritar para aprender a “dar”.
Todos aqueles que consideram a Terra como uma prisão,
todas as pessoas piedosas que imploram a libertação evocam
sem se aperceberem o mundo dos espectros. Fá-lo igualmente
tu próprio. Mas conscientemente.
Para aqueles que o fazem inconscientemente existirá uma
mão invisível que os possa retirar do pântano onde se atolam?
Eu não o acredito.
Quando sobre o caminho do despertar atravessarás o reino
dos espectros, reconhecerás pouco a pouco que eles são simplesmente
pensamentos que de súbito poderás ver com os teus
próprios olhos. Eis porque te são estranhos e parecem ser
criaturas, pois a linguagem das formas é diferente da do cérebro.
Então chegou o momento em que a transformação se dá:
os homens que te rodeiam transformar-se-ão em espectros.
Todos aqueles que amaste serão, de súbito, larvas. Mesmo o teu
próprio corpo.
Não se pode imaginar mais terrível solidão que a do peregrino
no deserto, e quem não sabe encontrar aí a fonte da vida ?
morre de sede. !
Tudo o que aqui te digo se encontra nos livros dos homens
piedosos de todos os povos: a vinda de um novo reino, a vigília,
a vitória sobre o corpo e a solidão.
E no entanto um abismo intransponível nos separa dessas
pessoas piedosas: elas supõem que se aproxima o dia em que os
bons entrarão no paraíso e os maus serão atirados para o inferno.
Nós sabemos que um tempo virá em que muitos despertarão e
serão separados dos adormecidos que não podem compreender
o que significa a palavra vigília. Nós sabemos que não existe o
bom e o mau, mas apenas o exacto e o falso. Eles crêem que velar
significa manter os seus sentidos lúcidos e os olhos abertos
durante a noite, de forma que o homem possa fazer as suas
orações. Nós sabemos que a vigília é o despertar do eu imortal
e que a insónia do corpo é uma consequência natural. Eles crêem
que o corpo deve ser descurado e desprezado porque é pecador.
Nós sabemos que não existe pecado; o corpo é o começo da
nossa obra e vimos à Terra para transformar em espírito. Eles
crêem que deveríamos viver na solidão com o nosso corpo para
purificar o espírito. Nós sabemos que o nosso espírito deve primeiramente
isolar-se para transfigurar o corpo.
Só a ti te cabe a escolha do caminho a tomar: ou o nosso
ou o deles. Deves agir segundo a tua própria vontade.
Não tenho o direito de te aconselhar. É mais salutar colher
segundo a tua própria decisão um fruto amargo sobre uma
árvore, do que ver pendurar um fruto doce aconselhado por
outrem.
Mas não faças como muitos que sabem que está escrito:
examinai tudo e só conservai o melhor. É preciso ir, nada examinar
e agarrar a primeira coisa que aparecer.

By Gustav Meyrinck: Le Visage Vert,
In O Despertar dos Mágicos.

Despeja o universo em meu cálice até a última gota,
pois hoje sei que não iremos adormecer…
hoje, vamos ver o sol nascer!!!

Postado por Kaslu às 12:56 PM

DEVEMOS SER CAPAZES DE CONSEGUIR MISTURAR
Gabriel, o pensador e Gurdjieff, o dançador
SENÃO NÃO SEREMOS CAPAZES DE DESPERTAR,
POIS ATÉ QUANDO?
POST ÁUREO

Segunda-feira, Maio 29 2006

Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ser saco de pancada?

Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente
A gente muda o mundo na mudança da mente
E quando a mente muda a gente anda pra frente
E quando a gente manda ninguém manda na gente
Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura
Na mudança de postura a gente fica mais seguro
Na mudança do presente a gente molda o futuro

Até quando você vai levando porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai ficar de saco de pancada?
Até quando você vai levando?
By Gabriel, o Pensador

“Em regra geral, que é necessário para despertar um homem
adormecido? É necessário um bom choque. Mas quando um
homem está profundamente adormecido, um único choque não é
suficiente. Um longo período de choques incessantes torna-se
necessário. Por consequência, é preciso alguém para administrar
esses choques. Eu já disse que o homem desejoso de despertar
deve procurar o auxílio que se encarregará de o sacudir durante
muito tempo. Mas quem pode ele procurar, se toda a gente
dorme? Ele procura alguém que o desperte, mas esse também
adormece em breve. Qual será a sua utilidade? Quanto ao homem
realmente capaz de se manter desperto, recusará provavelmente
perder o seu tempo a despertar os outros: pode ter trabalhos a
fazer muito mais interessantes.
“Há também a possibilidade de despertar por processos
mecânicos. Pode usar-se um despertador. A desgraça quer que
nos habituemos, depressa demais, seja a que despertador for:
deixamos de o ouvir, muito simplesmente. São portanto necessários
vários despertadores, com campainhas diferentes. O homem
deve literalmente rodear-se de despertadores que o impeçam de
dormir. E aqui surgem mais dificuldades. Os despertadores precisam
de corda; para lhes dar corda é preciso lembrar-se, para
nos lembrarmos é necessário acordar várias vezes. Mas eis o
pior: um homem habitua-se a todos os despertadores e, após
um certo tempo, ainda dorme melhor. Por consequência, os despertadores
devem ser continuamente mudados, é necessário
inventar constantemente novos. Com o tempo, isto pode auxiliar
um homem a acordar. Ora, há muito poucas probabilidades de
que ele faça todo esse trabalho de inventar, dar corda e mudar
todos esses despertadores por si próprio, sem auxílio exterior.
É muito mais provável que ao começar esse trabalho ele não
tarde em adormecer e que, durante o sono, sonhará que inventa
despertadores, que lhes dá corda, que os muda – e, como já
disse, cada vez dormirá melhor.
“Portanto, para despertar é preciso uma conjugação completa
de esforços. É indispensável que haja alguém para despertar
o adormecido; é indispensável que haja alguém para vigiar
aquele que acorda; é necessário ter despertadores, e é igualmente
necessário inventar constantemente novos.
“Mas para levar a bom termo este empreendimento e obter
resultados, devem trabalhar várias pessoas em conjunto.
“Um homem sozinho nada pode fazer.

“Antes de mais nada, precisa de auxílio. Mas um homem
sozinho não pode contar com auxílio. Aqueles que são capazes de
auxiliar avaliam o seu tempo por um preço muito alto. E naturalmente
preferem ajudar, digamos, vinte ou trinta pessoas desejosas
de despertar, a uma só. Para mais, como já disse, um homem
pode muito bem enganar-se a respeito do seu despertar, tomar
como despertar aquilo que não passa de um novo sonho. Se algumas
pessoas decidem lutar em conjunto contra o sono, despertar-se-ão
mutuamente. Acontecerá muitas vezes que uma vintena
de entre elas dormirão, mas a vigésima primeira despertará,
e acordará as outras. Dar-se-á o mesmo com os despertadores. Um
homem inventará um despertador, um segundo inventará outro,
após o que poderão fazer uma troca. Todos juntos podem ser de
grande auxílio uns para os outros, e sem esse auxílio mútuo
nenhum deles pode conseguir seja o que for.
“Portanto um homem que pretende despertar deve procurar
outras pessoas que desejem igualmente acordar, a fim de trabalhar
com elas. Mas isto é mais facilmente dito que feito, porque
o empreendimento de tal trabalho e a sua organização exigem
um conhecimento que o homem vulgar não possui. O trabalho
deve ser organizado e deve haver um chefe. Sem essas duas
condições, o trabalho não pode dar os resultados esperados,
e todos os esforços serão vãos. As pessoas poderão torturar-se
mas essas torturas não as farão despertar. Parece que para certas
pessoas nada é mais difícil de compreender. Por elas próprias e
por sua iniciativa podem ser capazes de grandes esforços, mas os
seus primeiros sacrifícios devem ser obedecer a outro: nada no
mundo as conseguirá persuadir disso.
“E não querem admitir que todos os seus sacrifícios, neste
caso, de nada servem.
“O trabalho deve ser organizado. E só o pode ser por um
homem que conheça os seus problemas e os seus objectivos,
que conheça os seus métodos, tendo ele próprio passado,
no seu tempo, por semelhante trabalho organizado.”

By Gurdjieff,
in Ouspensky: Fragments d’un
Enseignement


Demasiadamente Humanos

Entre os sonâmbulos e despertos, estamos nós:
os completamente ferrados,
os bem-aventurados do inferno,
os que se emocionam com a rosa e praguejam contra deus,
os que tratam demônios de igual para igual e não sentem remorso nem pena,
os que deitam cansados e levantam mais cansados ainda,
os que riem de si mesmos e não esperam a hora de acertar as contas com deus,
os profetas do apocalipse,
os homens da cura e da doença,
os piratas,
os maus,
os honestos,
os imbecis cabeçudos,
os exaltados de coração grande,
os participantes do clube-da-luta,
os amigos verdadeiros,
os simples,
os humanos…. demasiadamente humanos.

By Hammadi, adaptado por kaslu
(se é que isso é possível)

Postado por Kaslu às 6:33 PM

Sexta-feira, Maio 28 2004

AO INFINITO E ALÉM
(Considerações sobre Everwood: só para fãs!)



O interesante é lembrar da posição que o
narrador fala: ele é pai de um ser enamorado e ele é cirurgião: apesar do texto
curto, por um momento pensei que ele ia usar a metáfora do transplante:
da proteção da caixa toráxica: de que só se pode fazer transplante uma
única vez: então ele veio com a idéia maravilhosa do cristal:

“Como são frágeis os corações!
Talvez por isso nos esforcemos tanto para protegê-los!
E nas poucas vezes que se abrem, sempre parece ser a única vez!
Mas alguns são mais fragéis e especiais do que outros,
são como cristais puros em um mundo de vidro…
E é possível observar a sua beleza, mesmo quando se estilhaçam…”

E então toca aquela música tema maravilhosa, inumana, ou demasiada humana… e rolam os créditos Everwood, no fundo preto! Para minha alma, todo o meu amor virtual, lá para onde para sempre estaremos juntos e libertos!!! Dançando na Supernova Champagne de Matrix Interior:


Quantas pessoas especiais mudam
Quantas vidas estão sendo vividas estranhamente
Onde você esteve enquanto estávamos crescendo?
Andando vagarosamente pelo corredor
Mais rápido que uma bola de canhão

Algum dia você me encontrará
Preso em um deslizamento de terra
Numa Supernova Champagne no céu
Acorde-me ao amanhecer e me pergunte por que
Num sonho de um sonhador ela nunca morre

Limpe aquela lágrima agora do seu olho
Pois as pessoas acreditam
Que vão escapar para o verão
Mas você e eu, vivemos e morremos
O mundo ainda está girando
E não sabemos porque
Porque, porque, porque

By OASIS – Champagne Supernova

Bricolage by Kaslu

Postado por Kaslu às 10:20 AM

O PALHAÇO ASSASSINO
(Ou post dedicado à sístole e a diástole do riso do franco atirador
Ou você é capaz de tirar alguma lição desta estorinha ?
Ou todos nós somos palhaços assassinos, mas há de se chegar ao limite protegendo-se a criança)

Sexta-feira, Maio 21 2004

Um dia o palhaço Zeppelin reuniu todo o circo.
- Sim, o palhaço pode tudo.
Logo logo, o mágico Tucalpa se indispôs:
- Mentira, só Tucalpa, pelos poderes de seus ancestrais, pode tudo, e do nada retirar o mundo.
O palhaço fez mesuras e respondeu:
- Não desconheço suas razões, grande mestre do impossível. Mas entenda as minhas. Não falo brotar o mundo do nada, coisa difícil pro pouco tempo que tenho com vocês. Falo do mais simples. Sua perspicácia, grande mestre, pode chegar ao complicado mais rápido que minha língua de gago.
“Imagine uma de suas mágicas. De uma casa de noz retirar um elefante. Quando o mestre ganha palmas? Quando a fumaça azul desaparece e a platéia vê o elefante com a casquinha de noz no lombo. Como faz a mesma mágica o palhaço Zeppelin? Se apresenta à platéia como um mágico mais poderoso que mestre Tucalpa, mais poderoso que todos os ilusionistas e que do nada tira o mundo. Depois promete surgir enorme elefante de dentro da noz.
“Em torno da casquinha, meio picadeiro, surge a primeira nuvem de fumaça verde. Ao desaparecer, a noz está lá, do mesmo jeito. O embaraço de Zeppelin tira risos da platéia e sua indignação, gargalhadas. Vai, então, e repete, até explodir a fumaça azul. Ao desaparecer, a noz está lá, como antes. Seu embaraço, sua indignação viram raiva, quando vê mestre Tucalpa zombar do arremedo de mago. Então, furioso, faz explodir nuvens rosas, roxas, amarelas, vermelhas, pretas, e todas juntas de uma vez, num carnaval de cores. E a noz continua lá, como sempre. Todos gozam. O palhaço Zeppelin caminha lento, ignora as vaias e levanta a casquinha. Olha com surpresa. Pede silêncio. Algo estranho aconteceu. Ali existe apenas uma pulga. Tcham! Tcham! Tcham! Tcham! O público ri e o palhaço pergunta por que uma pulga? Tenta pegar , mas o peso é enorme, impossível levantar. Só o doutor Eugenius pode resolver o problema. Mas como levar a pulga até ele? Tenta levantar com uma pá e ela quebra, com um carinho e ele desmonta, com um guindaste e ele parte. Como leva-la ao dr. Eugenius? Ah, sim! Pulguinha, vamos ao dr. Eugenius? E ela vai. Cada pulo é um estrondo, o chão balança. Bum, bum, bum! Entram no laboratório e Zeppelin pede, pulguinha espere aqui nessa mesa e ela, escreche, quebra a mesa. Dr. Eugenius entende logo. Pega um enorme livro, que contém o mundo inteiro, e encontra o nome “Pulguillis elefantie”, espécie pré-histórica do cruzamento de elefantes e pulgas, e não elefantes e formigas, como se pensa. E o palhaço vê que realizou a mágica. Salta pro meio do picadeiro e pede palmas. O público ri. A pulga pula atrás de Zeppelin, está apaixonada por ele, e o persegue, bum, bum, bum, até saírem de cena.”
- Porra, Zeppelin! – exclama o bilheteiro – tenho mais que fazer, caralho, não vim aqui pra você ficar contando seu novo número! Que que você quer?
- Não foi só pra isso. Contei o número pra que entendam que o palhaço é ilimitado por ser o limite. Que da noz, faz surgir elefantes, sem precisar de elefantes nem pulgas. Que dança o Cisne Negro sem dar um único pliê. Que engole espadas de biscoito e fogos de algodão doce. E doma gatinhos como tigres, monstros e leões. Mas não descobri isso assim, sendo palhaço. Entendi, quando um senhor me procurou hoje. Queria fazer uma proposta e eu proponho a vocês.

Ele é um dos mais poderosos banqueiros da região e divide seu poder apenas com outro, tão poderoso quanto e inimigo. O senhor que me procurou quer matar o inimigo e não sabia como, até que o circo chegou. Imaginou que o palhaço poderia matá-lo durante o show, sem que ninguém suspeitasse. Aí, entendi que o palhaço era o início e o fim de tudo, que ele podia tudo. Vamos salvar o circo da falência?”

O silêncio tomou conta. Estavam diante do palhaço assassino. Calmo, o velho Arlequim pediu a palavra.
- Boa charada, Zeppelin. Mas é clara a solução. Um palhaço pode tudo quando na platéia não existem crianças.
E todos riram e bateram palmas.
No outro dia o circo partiu.

In Folhetim Voador – pg 133 e 134

Postado por Kaslu às 10:33 AM

Terça-feira, Maio 18 2004

O LIMITE DE LATAME
( Ou mais uma explicação sobre a questão do tempo tão boa quanto a da física quântica, talvez melhor!)


“Não é nova essa estória. Quando escrita, os homens ainda adoravam Abraxas e em alguns vales o tempo não havia começado. Fala de um ator, um ator impecável, que só tinha um desejo: após o espetáculo, ouvir palmas da platéia.
Seu desejo nunca era satisfeito, pois a cada espetáculo, o público ficava tão admirado com sua interpretação, que a única coisa que restava era um imenso assombro, e quietos durante minutos (alguns falam de horas!) permaneciam, até que, pouco a pouco, se retiravam da arena. Uma vez, não agüentando tanta angústia, o ator chorou em meio ao silêncio da platéia, que ficou assombrada com a beleza do lamento e mais quieta permaneceu (falam de um silêncio inumano).
Um dia, o ator resolveu interpretar mal, para que a platéia não ficasse assombrada e se rendesse ao desejo. Mas sua intenção foi tão perfeita, que todos entenderam como ele era bom interpretando o pior. E o que restou foi assombro outra vez.
Quando o ator morreu (o luto foi de semanas), na hora do enterro, a tristeza foi tanta, que todos, possuídos por uma vontade, bateram palmas. Aí, o ator se levantou e, emocionado, curvou-se diante da platéia. A partir daí, o tempo começou naquele vale.”

By Latame


Esse texto me perturba. O tempo nasce quando se busca o reconhecimento, quando se ganha o reconhecimento. Vamos ser reconhecidos novamente?, é a pergunta que domina cada minuto de hora. (…) Com o reconhecimento, a morte. O maior reconhecimento vem com a morte.

In Folhetim Voador, pg 118 e 119, Ed. Record, 1987, Rio de Janeiro

Postado por Kaslu às 9:33 AM

QUERIDOS NEWTONS,
NÃO SEJAM BOBOS,
A LUZ TEM PESO
E SE MOVE EM LINHA CURVA,
BASTA DE SIMPLIFICAÇÕES AUTORITÁRIAS….
Assinado: EISNTEIN, direto de SOBRAL (Ceará-Brasil), 1929 -
(poderia ser em qualquer outro lugar nenhum, mas não foi!)

Sexta-feira, Maio 19 2006

A dedução a priori é própria do gênio, do místico, do intuitivo, ao passo que a indução a posteriori apraz ao talento, ao moralista, por ser meramente analítica.
A intuição dedutiva é como uma solitária vertical, que parte da fonte, como um Everest; só é conhecida por uns poucos pioneiros da transcendência, que não andam com a turba-multa em estradas batidas, mas se embrenham por florestas virgens e invadem ínvios desertos, mergulhados em profundo silêncio e orientados por faro cósmico que só eles conhecem…
Nessa solitária jornada, primeiro expiram os ruídos materiais. Mais tarde, morrem também os ruídos mentais e emocionais. E, quando o homem estiver em total silêncio, e na total nudez do seu eu, sem nenhuma roupagem do velho ego, então percebe ele o trovejante silêncio da realidade cósmica. E, como íntima essência do homem é idêntica à essência dos cosmos, o silêncio hominal é o eco do silêncio sideral.
Quem nunca viveu essa simbiose do silêncio hominal-sideral não te a menor idéia da sua fascinante realidade e indizível beatitude…
O silêncio dentro do homem sabe e saboreia as leis eternas que estão no seio do silêncio do cosmos. O homem, assim cosmificado pelo silêncio, ouve a silenciosa legislação do universo.
As leis cósmicas devem ser intuídas em profundo silêncio, não podem ser captadas nem analisadas pelo ruído mental. A análise mental pode proceder, como elemento necessário, mas só a intuição cósmica é suficiente para plenificar a vacuidade do homem.
Einstein diz: O princípio creador reside na matemática. O raciocínio puro pode atingir a realidade.
Por quê?
Porque matemática, metafísica ou mística, consistem na perfeita harmonia entre o meu pensamento ou intuição e a realidade cósmica. E assim as águas vivas da realidade fluem espontaneamente através dos canais abertos do homem, quando puros e ligados com a fonte.

Em 19 de maio de 1929 ocorreu um eclipse total do sol. A Real Sociedade de Ciências de Londres enviou duas equipes de cientistas para fotografarem o sol totalmente eclipsado. Uma dessas turmas foi a Sobral, Estado do Ceará, Brasil; a outra, à ilha do Príncipe, no golfo de Guiné, África, locais considerados especialmente favoráveis para obter fotografias perfeitas. A equipe de Sobral trouxe 16 fotografias de primeira ordem. Em pleno meio-dia aparecem as estrelas visíveis ao redor do sol obscurecido pela lua.
Uma equipe de peritos interpretou as fotografias e chegou à conclusão:
1. que a luz estelar sofre um deflexão rumo ao globo solar, sinal de que ela tem peso e obedece à lei da gravidade;
2. que a luz se propaga em linha curva e não em linha reta, como se supunha.
Com isto, estava experimentalmente provada a base da Teoria da Relatividade. Eisntein, porém, ficou estranhamente indiferente em face dessa prova empírica, porque para ele a certeza não vem do mundo físico dos fatos, mas sim do mundo metafísico da matemática. Para ele, o princípio creador da certeza reside na matemática, e esta certeza não pode ser adquirida nem destruída por nenhum fato concreto.

By Huberto Rohden
Postado por Kaslu às 1:38 PM

GRANDE SEGREDO
(Da série xícaras e lençóis:
O Caminho do Homem Louco que olhou uma pia,
uma torneira e uma xícara,
e viu um Templo)

Sábado, Maio 15 2004


Era uma vez, quando eu menina
Gostava de espiar a vizinha no quintal
Seus gestos precisos
Entre espuma, limo e folhas de amendoeira

Enchia o tanque d´água
Jogava o monturo de roupa
E, lentamente, alisava o sabão em cada peça.
Depois esfregava, batia, esfregava, torcia.
Torcia tanto
Que as veias saltavam no pescoço.
O sangue borbulhando quente, a percorrer o corpo.

A espuma branca cobria-lhe as mãos, os braços,
Luvas de pelica num baile imaginário.
Às vezes cantava. Canções de amor (evidentemente).
Em torno dela, bolinhas de sabão luziam. Furta-cor.
E espocavam no ar.
Caminhava até o varal, enorme bacia sobre a cabeça,
Arrastando os tamancos
Eram calças, camisas, toalhas, lençóis
Gotejando ritmadamente no cimento quente.
Com o avesso do avental, enxugava a fronte
Que gotejava também.
Olhava-me e dizia: “Tomara que não chova!”
Dia seguinte, bem cedinho, levava as roupas à freguesia.
Eu ficava imaginando:
Alguém vestirá aquela roupa limpinha
Dormirá no lençol cheiroso
Se sentirá elegante.

Mas só eu e ela sabíamos o grande segredo:
Água, sabão, força nos braços,
Sobretudo força.
Esfregar, esfregar, torcer, torcer.
Olhar pro céu e esperar
Que a chuva não estrague tudo.

By Conceição Albuquerque in Folhetim Voador p.93 – Ed. Record
Postado por Kaslu às10:34 AM

Quarta-feira, Maio 12 2004

O SILÊNCIO, O SILÊNCIO:
submerge no silêncio, ò filho do fogo…



O universo não tem preferências
Todas as coisas lhe são iguais.
O céu e a terra não são humanos
Não tem qualquer piedade.
O sábio não tem predileções,
É impiedoso ao tratar as pessoas como cães de palha
que serão destruídos no sacrifício.
O sábio não tem predileções como os homens conhecem.

O universo é como o fole de uma forja,
que embora vazio fornece força.
Inesgotável.
Esvazia-se sem exaurir-se
Quanto mais trabalha, mais alento produz.

Muitas palavras se esgotam sem cessar
E conduzem inevitavelmente ao silêncio.
Quando mais falamos no Universo
Menos compreendemos o Tao.
O melhor é escutá-lo no silêncio.

By Lao-Tsé in Tao Te King.
Postado por Kaslu às 6:06 PM

¿Y tú que sabes?

Quarta, maio 16 2006

Em 5 de maio estreiou nos cinemas de Barcelona o filme ¿what the bleep do we know? (http://www.ytuquesabes.es/)
segue abaixo o folder de divulgação: primeiro frases dispostas com fotos; depois a sinopse;
depois um trecho-comentário sobre o filme com a descrição da cena do índios e das caravelas;
por fim, a decrição da experiência da água.
Divirtam-se!

Às vezes, chego a acreditar em até seis coisas impossíveis antes do café da manhã. By Lewis Carrol

Toda a história da ciência tem consistido na comprovação gradual de que os acontecimentos não ocorrem de maneira arbitrária mas sim que refletem uma certa ordem que pode ou não ter inspiração divina.
By Stephen W. Hawking

Como se pode questionar o fato de adquirir ou possuir, quando a única coisa necessária para o homem é conseguir tornar-se a ser e morrer na plenitude de sua existência.
By Antoine de Saint Exupery

Tudo o que somos é resultado do que estamos pensando. A mente é tudo. Nós nos convertemos no que pensamos.
By Maharishi Mahesh Yoghi

Sinopse: Seguindo a história de Amanda, o filme submerge no fantástico mundo de Alice no País das Maravilhas com seus encontros causuais e seus fenômenos inexplicáveis. E como sua vida começa a desmoronar-se, Amanda vai se dando conta do mndo incerto que se esconde por trás de nossa realidade. Através dessa viagem, Amanda descobre que olhar para este mundo, ao invés de simplesmente observá-lo, fará que sua vida não volte mais a ser a mesma. É uma experiência cinematográfica única que faz com que você se pergunte o que você sabe de si mesmo. Ao contrário de Matrix, Vanilla Sky e Minority Report que nos mostram algo muito para além do que nós aceitamos como realidade,
este filme é diferente porque…. é real!!

Trecho-comentário: Há muitas suposições veladas, coisas que damos como dadas e que podem não ser verdadeiras. Quase sempre, a história revela que essas coisas são falsas. Se nos guiamos pela história, muito do que assumimos sobre o mundo, simplesmente é falso. O cérebro processa 400 bilhões de bytes de informação por segundo, no entanto estamos conscientes de apenas dois mil. Esses dois mil bytes de informação só se referem ao meio ambiente, a nosso corpo e ao tempo. Vivemos em um mundo que só vemos a ponta dos iceberg. Se tem visto em experiências científicas que se se examina o cérebro de uma pessoa mediante tomografias ou técnicas computacionais e se pede que ela olhe um objeto, ao olhá-lo certas áreas do cérebro se iluminam. Logo depois então se pede que se feche os olhos e que imagine o mesmo objeto. Quando se imagina, se iluminam as mesmas áreas do cérebro, como se se estivesse vendo realmente. A isto, os cientistas se perguntam:
Quem vê?

Copiamos padrões que em algum momento absorvermos em função do condicionamento. Uma magnífica história é que quando chegaram as naves de Colombo às Ilhas do Caribe, os índios americanos não podiam vê-las, pois nunca haviam visto nada parecido. Quando a frota de Colombo apareceu no Caribe, nenhum nativo podia ver as caravelas no horizonte. Não as viam porque seu cérebro não tinha o conhecimento nem a experiência do que era uma caravela. Somente quando um Xamã começou a notar que se formavam ondas no mar, porém não se via nenhum navio, é que se perguntou qual era a causa desse efeito. Todos os dias olhava e observava. Até que um dia, conseguiu ver as naves. E como todos acreditavam no Xamã e confiavam nele, também viram as caravelas. Sempre percebemos as coisas uma vez que se reflitam no espelho da memória. Assim estamos limitados ao que chega ao cérebro, que assim nos deixa ver e perceber o que fazemos.

As mensagens da água de Masuru Emoto. Mensagens da água, do doutor M. Emoto, é resultado dos trabalhos de investigação procedntes da análise da água de diversos países e localidades, mediante a utilização de ressonância magnética. Existe algum fundamento por detrás das águas benditas? Porque as águas contaminadas do Ganges não afetam a milhões de fiéis que a cada ano submergem nelas por motivos religiosos? Durante anos nada tem sido capa de responder a esta pergunta. Emoto investiga há anos o que chama de energias úteis. Utiliando técnicas de ressonância magnética e microscópios eletrônicos, se interessou por estudar a estrutura profunda dessas águas especiais. Acabou por descobrir que a melhor maneira de examiná-las era levá-las a um ponto de congelamento e estudar a estrutura geométrica de seus cristais de gelo. Foi uma grande surpresa. As águas sagradas mostravam perfis harmônicos, ao contrário as águas contaminadas os exibiam fortemente desorganizados. O verdadeiramente surpreendente é que a água reage cristalizando-se harmonica ou desarmonicamente, segundo os estímulos exteriores a que são submetidas. Se escuta música de rock, os cristais de gelo se desestruturam. Se é Mozart o que escuta, acontece o contrário. O mesmo acontece se se sussurra ou se se escreve palavras altissonantes ou doces perto dos frascos de água. A água pode ler? Em que medida a geometri de seus cristais podem afetar a nossa saúde tendo-se em conta que nosso corpo é formado por 80% de água?

Neste infinito mar de potencialidades que nos rodea, como podemos seguir criando o mesmo tipo de realidades?

É possivel que estejamos tão condicionados pelo nosso dia-a-dia, tão condicionados pela maneira que criamos nossas vidas, que não seja possível acolher a idéia que não temos absolutamente nenum controle sobre tudo isso?

By Kaslu,
in Barcelona

Postado por Kaslu às 10:07 AM

Quinta-feira, Maio 11 2006

Curiosidad du viaje: rutas olvidadas

El Tarot nace en un período en el que la civilización occidental tiene amplio contacto con otras culturas a las que sabios, intelectuales y aventureros de la época están abiertos. Así, el Tarot recogerá material de diversas culturas y reflejará influencias grecolatinas, pero también egipcias (hay quien cree que es obra del mismo Thot o Hermes Trimegisto), celtas, cristianas. Durante los siglos XI, XII y XIII hay varias corrientes culturales en Europa que impulsarán luego a un renacimiento del saber, antiguas ideas se retoman y mezclan con doctrinas extranjeras, nuevas, de lugares con los que empieza a haber mayor contacto. Fruto del interés resurgente por credos clásicos y paganos son algunas sectas gnósticas, como los cátaros o albigenses, por ser Albi, cerca de Toulosse, eje principal de su origen y expansión. Los cátaros eran herederos del maniqueísmo, basado en la existencia de dos poderes opuestos y fundado por Mani, príncipe persa que vivió en el s. III y que fundió dogmas cristianos con los de Zarathustra o Zoroastro. Hay quien atribuye el Tarot a los cátaros, que idearon sus imágenes para que sus doctrinas les sobrevivieran o para representarlas ante analfabetos, razón que también asiste a los Templarios.

Hacia el siglo XI, Bizancio inicia su ocaso como capital comercial y cultural de Occidente, y las ciudades del litoral italiano, Venecia, Génova y Pisa, toman el relevo como principales ejes de comunicación con Oriente. Desde allí viajan a Tierra Santa y Asia Menor los cruzados, Marco Polo va a China y contacta con el imperio mongol estableciendo relación con budistas, musulmanes y miembros de diversas religiones. Los mercaderes italianos controlan además los pasos de Saboya y las rutas comerciales del norte; Alemania, Flandes y Francia les abren paso a Inglaterra, Escandinavia, Irlanda¿ Las leyendas de Arturo y el santo Grial, los ciclos celtas, penetran así en el continente y se traducen al latín. Mientras, en España, hace siglos que los árabes conviven con judíos y cristianos y, desde allí y otras zonas del Mediterráneo, pasan al resto de Europa transcribiéndose sus ideas y obras a otras lenguas. Por aquél entonces aún se discuten ideas nuevas y se enfrentan a las ya conocidas sin caer en herejía: la iglesia de Roma todavía no se siente amenazada. Pero todo cambia, y un día, hasta los Templarios, con gran poder, riqueza y privilegios concedidos por el Papa, son perseguidos, acusados, arrestados y torturados por la Inquisición que confisca sus propiedades. La Orden es destruida a principios del siglo XIV, pero masones y Rosacruces heredan sus conocimientos y los esparcen, aún hoy, por todo el mundo.
(Jung & el Tarot: Un viaje arquetípico – Prólogo de Enrique Eskenazi al libro de Sallie Nichols, para su edición española. Ed. Kairós 1988.)


Los inquietantes naipes que integran el Tarot han sido objeto de diversos enfoques: el más frecuente los considera como un artefacto adivinatorio; el más inquietante los reconoce como páginas del legendario “libro de Thot”, dios de la sabiduría, contador de estrellas, inventor de la escritura, maestro de las palabras de poder y de su correcta pronunciación. La primera tendencia ha producido una lamentable literatura consistente en manuales plagados de recetas para leer la ventura; la segunda abunda en confusas especulaciones “esotéricas” que casi siempre encubren ideologías discutibles. El presente libro no incurre en ninguna de estas vulgaridades sin, no obstante, renunciar a ambos enfoques.

Quienes ven en el Tarot el “libro de Thot”, que no es otro que Hermes Trismegisto, personificación del discurso divino, recurren a una metáfora que expresa la convicción de que sus símbolos son portadores de conocimiento. La cosa se complica cuando se trata de determinar en qué consiste tal conocimiento: rosacruces, aficionados a la cábala, teósofos y ocultistas de diversas tendencias presintieron en esta baraja un posible modelo del universo. No me refiero a un modelo “intelectual”, que propende a una explicación, sino más bien a una construcción “simbólica” que apunta a una toma de conciencia.

En este sentido “conocer” no implica disponer de una teoría o de un conjunto de informaciones, sino ante todo “devenir consciente” y así transfigurar la existencia. Sallie Nichols apuesta por esta concepción, sin tener que asumir los riesgos de una metafísica: el modelo que descubre en el Tarot no es otro que el despliegue mismo de la vida anímica. y para ello apela a un lenguaje hermosamente diseñado a tal fin: la psicología de Jung. Puede afirmarse un poco en broma que Jung no era tanto un psicólogo preocupado por temas del ocultismo -conocidas son sus obras sobre alquimia, gnosticismo, teología, etc. – sino más bien un ocultista disfrazado de psicólogo. Con ello se alude al hecho de que su pensamiento reformula una visión muy antigua -”perenne”- a través de un lenguaje contemporáneo; él mismo sostenía que la verdad eterna necesita del lenguaje humano, que varía con el espíritu de la época. Y una de las tesis fundamentales de Jung es que en el alma hay un proceso autónomo, independiente de las circunstancias, que aspira a una meta, al que denominó “proceso de individuación”. Así, nos encontraríamos con dos sujetos de la existencia: por una parte el sujeto consciente, el “yo” más o menos diurno, y por la otra el sujeto integral de tal proceso autónomo, con el cual el “yo” puede cooperar o luchar y al que habitualmente desconoce. A este segundo sujeto Jung lo llamó “sí-mismo”. Esta concisa exposición, errónea por su misma brevedad, destaca un factor dramático en el desarrollo de la existencia. El pensamiento de Jung es la explicitación y aproximación a este drama íntimo que, si bien compromete a la faceta consciente de la personalidad, acaece en gran parte más allá de sus fronteras, en esa región misteriosa llamada “el inconsciente”.

Es por ello que el proceso de individuación no se expresa por conceptos -que atañen a la consciencia- sino por símbolos, que abarcan tanto la consciencia como el inconsciente. Sallie Nichols, utilizando el lenguaje de Jung, adivina en el despliegue del Tarot una especie de mapa de este viaje interior en el cual todos nos hallamos embarcados. El mismo Jung consideraba que su pensamiento reformulaba la problemática que tanto obsesionó a los alquimistas: el libro de Nichols, al recurrir a Jung, no deja de vincularse así con Hermes Trismegisto, patrono de la alquimia. y si, como bien señaló Bachelard: “con su escala de símbolos, la alquimia es un memento para un orden de meditaciones íntimas”, el Tarot se revela como un ordenamiento simbólico sorprendentemente adecuado para tan amorosa meditación.

¿Y qué hay de la adivinación? Si por tal entendemos no tanto la predicción de acontecimientos como la comprensión del destino, entonces la adivinación no consiste sino en la revelación del proceso alquímico. En efecto, ya Heráclito afirmó en el siglo V a. de C. que “el carácter (ethos) es, para los hombres, su destino (daimon)”. Presiento aquí la misma convicción que llevó a inscribir en la entrada al oracular templo de Apolo en Delfos la máxima: “Conócete a ti mismo”. El “ethos” es el genio configurador del destino. Conocer el propio destino implica reconocer la propia índole. La psicología entera de Jung aparece como la dilucidación de este aserto. Porque si en la existencia nos hallamos comprometidos en un proceso anímico autónomo que tiende a una meta, ésta constituirá nuestro destino. y los acontecimientos, que no son sino las situaciones a través de las cuales discurre nuestro viaje, sólo devienen transparentes una vez comprendidos como tales.


Las imágenes del Tarot no significan personas, cosas o acontecimientos, sino que proyectan a las personas, cosas y acontecimientos dentro del contexto de la ineludible odisea anímica. De ahí que pueda afirmarse que, cuando se consulta el Tarot, no son las cartas lo que hay que leer: lo que debe leerse es la propia vida. Los símbolos no se resuelven en situaciones, sino que sugieren el significado de las mismas. Por ello recogen lo que hay de más inmediato en la experiencia básica, que es siempre nosotros mismos, nuestras pasiones sordas, nuestros deseos inconscientes, para destilarlo en comprensión, esto es, en consciencia. En este sentido, el libro de Sallie Nichols abarca la faz adivinatoria del Tarot, que es corolario de su vertiente meditativa.

Medio de autoconocimiento, de descubrimiento del “ethos”, el Tarot es, por lo mismo, un medio de adivinación: reconocimiento del “daimon” que orienta el viaje del que somos, a menudo sin sospecharlo, punto de partida, transcurso y meta. Nichols abarca ambas dimensiones con elocuente brillantez. Si su claridad y su lenguaje coloquial son de agradecer, no lo es menos su enfoque, el cual, eludiendo las exageraciones y las supersticiones que amenazan a toda aproximación al Tarot, nos ayuda a conocer la riqueza de sus símbolos y, con ello, a conocemos a nosotros mismos (by Enrique Eskenazi Barcelona, 1988).

By Kaslu, in Barcelona
Postado por Kaslu às5:31 PM